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11 / 08 / 2007Gavião-real tem vôo monitorado pela primeira vez no país
O radiotransmissor é equipado com o Sistema de Posicionamento Global (GPS, sigla em inglês) para rastrear a movimentação da ave. O feito marca a inauguração do sistema de satélites brasileiros para acompanhamento de animais silvestres. O procedimento foi feito em julho no assentamento do Incra – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária Vila Amazônia, em Parintins (AM).
Durante três anos o filhote será monitorado via satélite por meio do radiotransmissor, que foi implantado em forma de mochila no dorso. O sistema de GPS acumulará os dados do posicionamento do animal e está programado para transmitir as informações diariamente pelo sistema de satélites brasileiros.
As localizações do gavião-real serão acessadas no Inpe – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais pelo ecólogo e especialista em monitoramento de animais, José E. Mantovani. Ele será responsável pelo recebimento dos dados e tradução para se obter o mapeamento do vôo dos gaviões de forma a gerar informações sobre a movimentação no entorno do ninho e distância de dispersão da espécie até sua fase adulta.
Os trabalhos são coordenados pela cientista do Inpe, Tânia Sanaiotti, e estão inseridos no projeto de conservação do gavião-real. A pesquisadora explica que o projeto de acompanhamento dos ninhos na região já é feito há mais de seis anos e tem como objetivo envolver as comunidades rurais do assentamento.
Segundo ela, só assim será possível traçar caminhos para uma convivência pacífica entre os assentados e o Gavião-real. Isso porque o gavião-real caça principalmente preguiças (79%) naquela região, conforme informações da especialista em dieta de gavião-real, Helena Aguiar.
A pesquisadora explica que o filhote que recebeu o equipamento ainda não voa e permanece no ninho, que está localizado em uma castanheira com cerca de 32 metros de altura.
“O ninho foi encontrado pelo proprietário do lote, Sebastião Pereira, da Comunidade Santo Antônio do Murituba, um assentamento do Incra. Ele acompanhou de perto com seus filhos toda a operação de captura do filhote”, destacou Sanaiotti.
A operação para captura do animal demandou quatro dias de observação do comportamento dos gaviões adultos; escolha do melhor momento para chegar ao ninho e preparo do acesso ao local. Também foi necessário aguardar a mãe do filhote trazer alimento. Após a marcação, o filhote foi devolvido ao seu ninho.
Sanaiotti disse que um segundo rádiotransmissor, financiado pela Fundação Boticário, está previsto para ser colocado em um filhote no bioma Cerrado ou Pantanal, no Mato Grosso ou Mato Grosso do Sul. Além disso, um terceiro transmissor, adquirido pela Veracel Celulose S/A, será utilizado na mesma espécie na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Veracel, localizada no sul da Bahia, tido como um dos poucos fragmentos de floresta da Mata Atlântica do estado. (JB Online)