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08 / 03 / 2008Em Rondônia, governo federal e estado conduzem ações paralelas contra desmatamento
“Quando eles (equipe do governo de Rondônia) ficaram sabendo que chegaríamos às cidades, também mandaram gente para lá”, afirmou Silva. “Tentamos fazer gestão compartilhada com o governo do estado, mas nesta região houve um rompimento com a decisão dele de não participar das operações”, acrescentou.
A operação estadual é apresentada com destaque no portal oficial do governo de Rondônia. Matéria informa que equipes da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), do Batalhão Ambiental (BPA) e da Delegacia Especializada Contra Crimes ao Meio Ambiente (Deccma) apreenderam 8 mil metros cúbicos de madeiras e aplicaram R$ 6,5 milhões em multas em Machadinho D’Oeste e Cujubim.
Contactada pela Agência Brasil, a assessoria de imprensa do governo de Rondônia disse que a fiscalização estadual nos municípios teve início há 15 dias e que o governo defende o cumprimento da Lei, não sendo contrário a nenhum tipo de combate ao desmatamento ilegal. Mas não concorda, segundo a assessoria, com que madeireiros e agricultores sejam tratados como criminosos. O governador Ivo Cassol se encontrava em Corumbiara, no extremo sul do estado, município sem sinal de telefone celular.
Dificuldade de diálogo entre o governo federal e o de Rondônia em relação a temas ambientais já tinha sido evidenciada em janeiro, quando a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, definiu Cassol como “o governador com quem nós temos mais dificuldades de trabalhar nas ações de combate ao desmatamento e combate ao uso ilegal das áreas protegidas; tanto as áreas federais quanto as áreas estaduais”.
A Operação Arco de Fogo, conduzida pelos fiscais federais, iniciou sua atuação em Rondônia no última segunda-feira (3) e, conforme informou a superintendência do Ibama, os técnicos estão finalizando a medição de material encontrado nos pátios das duas maiores madeireiras de Machadinho D’Oeste.
Participam da operação 16 fiscais do Ibama, 28 agentes da Força Nacional de Segurança e 20 da Polícia Federal.
Segundo a superintendente Nanci Silva, os municípios fiscalizados têm base econômica consolidada no setor madeireiro, com alto índice de ilegalidade: “Os planos de manejo em Machadinho são poucos e não cobrem todas as 30 madeireiras existentes lá. Muitas delas trabalham com 50% de madeira legal e 50% ilegal. Varia um pouco para mais ou para menos, mas é uma média.”
Machadinho D’Oeste está na 32ª colocação na lista dos 36 municípios que mais desmataram na Amazônia de agosto a dezembro de 2007, conforme divulgado em janeiro pelo Ministério do Meio Ambiente. A previsão do Ibama é que em maio a operação seja estendida ao município de Nova Mamoré e posteriormente a Pimenta Bueno, que também integram a lista ocupando, respectivamente, a 25ª e a 6ª posições.
A primeira cidade a receber a operação Arco de Fogo foi Tailândia, no Pará, onde em dez dias as multas aplicadas já ultrapassaram R$ 3 milhões, segundo o Ibama, com seis madeireiras autuadas, fornos de carvoarias destruídos, máquinas lacradas e apreendidas. (Agência Brasil)