Fantástico comprova facilidade para comprar terras na Amazônia

O descontrole sobre compra de terras por estrangeiros realmente existe. A pedido do Fantástico, um suíço se apresentou como interessado em adquirir terras na floresta. Pela conversa dele com um corretor que anuncia seus serviços no jornal, parece que o negócio é fácil.

O anúncio no jornal do Tocantins dizia: áreas de reserva por R$ 1 mil o alqueire. A pedido do Fantástico, um cidadão suíço, com forte sotaque, aceitou simular a compra da terra, mas preferiu não se identificar.

Peter: Boa noite, seu Marcelo?

Marcelo: Sim.

Peter: O meu nome é Peter, estou interessado em terras.

Marcelo: O que você precisa, Peter?

Peter: Eu estou interessado em Floresta Amazônica mesmo. Sou suíço e queria saber se posso comprar Floresta Amazônica? Terras assim, com floresta?

Marcelo: Pode.

Peter: Que tamanho que você tem para vender?

Marcelo: Tem mil hectares, tem três mil hectares, tem o tamanho que você quiser.

Peter: E essa floresta, ela é preservada? Está inteira?

Marcelo: Preservada.

Peter: O que tem nessas terras? Tem bicho? Macaco, onça?

Marcelo: Têm esses bichos, tem macaco, tem onça.

Peter: Com vocês é tudo documentado, né?

Marcelo: Tudo documentado.

Peter: Sendo o comprador, quais os documentos que preciso apresentar?

Marcelo: Em que lugar você mora?

Peter: Eu moro aqui no Rio.

Marcelo: Faz tempo que você mora aí?

Peter: Moro aqui há três anos. Eu casei com uma brasileira.

Marcelo: Ah, então beleza. Você pode mostrar a identidade, o CPF, a identidade de estrangeiro.

Peter: Aí eu posso comprar quanta terra eu quiser?

Marcelo: Pode, pode.

No Tocantins, nossos repórteres encontraram o corretor Marcelo Martins, que há oito anos trabalha com compra e venda de terras. Ele diz que na região que ofereceu ao suíço existe muita terra à venda.

“Hoje, no Parque do Cantão, a gente tem lá mais ou menos uns 30 mil hectares. Todas elas são escrituradas”, explica Marcelo.

E há muito interesse de estrangeiros.

“Os estrangeiros querem comprar porque onde eles moram, por exemplo, não tem mais mata. Eles querem comprar para preservar e compram aqui no Brasil”, complementa Marcelo Martins.

(Clique aqui para assistir à reportagem).

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