Reduzir desmatamento em 2008 será tarefa difícil, diz ONG

Fechar o ano com redução no desmatamento da Floresta Amazônica é tarefa quase impossível, afirma o coordenador da campanha Amazônia, da ONG Greenpeace, Paulo Adario. “Não temos mais como reverter o processo”, afirmou, em entrevista à Agência Estado. “Se o desmatamento parasse agora talvez ainda houvesse chance de o índice cair no ano, mas nada indica essa reversão.”

Dados de maio do sistema Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), divulgados nesta terça-feira (15) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que 1.096 km² de floresta sofreram corte raso (derrubada) ou degradação (queimadas, por exemplo) no mês, uma área equivalente à cidade do Rio de Janeiro. O dado representa uma diminuição de 2,4% (ou 27 km²) em relação a abril (1.123 km²). Em maio do ano passado, foram derrubados ou devastados 1.222 km² de Amazônia. No mesmo período de 2006, 5.017 km².

Adario atribui o aumento do desmatamento à alta global nos preços das commodities – produtos primários padronizados e negociados internacionalmente. Quanto mais valorizados ficam produtos como soja e carne (que são commodities), mais se expande a área de produção rumo à floresta, acredita o especialista. Para ele, o governo não deu a devida atenção aos alertas dos últimos dados do Deter. “Não é surpresa que o desmatamento volte a crescer. O governo não criou proteção suficiente para a floresta e a fronteira agrícola brasileira se expande cada vez mais rumo à Amazônia.”

O pesquisador do Instituto Socioambiental (ISA), Arnaldo Carneiro Filho, também relaciona o aumento do desmatamento com a alta nos preços das commodities, porém acredita que o próprio mercado pode colaborar para reverter a devastação. “Existe uma pressão crescente do mercado e da sociedade civil por produtos de origem correta, sem exploração da floresta.” Ele cita um acordo firmado entre o governo e produtores de soja para que não exportem produtos produzidos com devastação da mata. O Ministério do Meio Ambiente pretende estender o acordo às cadeias produtivas de carne e madeira. “Essa é uma das boas medidas para consertar a situação.”

Carneiro Filho acredita que o controle das cadeias pode ajudar a reverter o desmatamento pois 75% das áreas desmatadas são de pecuaristas. “Se o governo conseguir otimizar o uso dessas terras, vai diminuir a pressão sobre as florestas primárias da Amazônia.” Para ele, “ainda é cedo” para dizer se os dados do Deter indicam melhora ou piora no quadro de desmatamento. “Estamos em uma rota ligeiramente descendente”, diz, sem arriscar um palpite de como ficará o índice ao final do ano. “Mas uma coisa é certa, esse (dado de maio) não é um número para se orgulhar.” (Fonte: Carolina Freitas/ Estadão Online)

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