Bototerapia usa poder curativo do boto-cor-de-rosa

Mais que simpático, curativo. O Centro Terapêutico do Boto-Cor-de-Rosa, situado no rio Ariau, a poucos quilômetros de Manaus (AM), aposta nos poderes “medicinais” do boto. Esses poderes teriam aplicações oncológicas, neurológicas e fisioterapêuticas.

Além de ser atração turística, o boto-rosa possui no cérebro um potente sistema de ultra-sons que o transforma em um complemento natural para atenuar da leucemia à depressão ou problemas de psicomotricidade, dizem os defensores da técnica.

O centro, dirigido pelo veterinário brasileiro Igor Simões, possui desde 2005 tratamentos baseados na interação com esse animal, cujo sistema de ultra-sons cerebrais é maior do que o do golfinho.

Situado no rio Ariau, que liga os rios Negro e Solimões (que depois se torna o rio Amazonas), o centro de bototerapia, como também é conhecido esse tratamento, tem a peculiaridade de trabalhar com os animais sem mantê-los em cativeiro, o que multiplica a eficácia, e é especializado no tratamento infantil, ainda em pequena escala.

O boto-cor-de-rosa, com seus pequenos e quase inúteis olhos, compensa a deficiência visual com um gerador de ultra-sons capazes de, “ao entrar em contato com as pessoas, ter uma visão delas equivalente à de uma ultra-sonografia na qual, em seguida, localizam onde está seu problema”, diz Simões.

Após estudar veterinária e dedicar anos de pesquisa, Simões firmou sua tese sobre o efeito fisioterapêutico nos humanos de nadar com os botos. Depois, foi comprovando que sua aplicação se estendia também aos campos neurológico, oncológico e psicológico.

Os ultra-sons situam o problema e conseguem “um efeito de equilíbrio no corpo, geram endorfinas e estimulam o organismo, de modo que podem fazer melhorar o funcionamento de glândulas, a secreção de hormônios e o fluxo sanguíneo”, explicou.

Segundo dados da Fundação Água Thought, um dos efeitos mais notórios dos botos é a capacidade para melhorar a sincronia inter-hemisférica –com sucesso em 75% dos casos – e ativar zonas latentes do cérebro, desbloqueando também traumas e até revertendo a auto-estima (que também ativa o sistema imunológico do paciente).

Lenda – Antes dos cientistas, já existia um mito indígena que ligava o boto-cor-de-rosa ao organismo do homem. Segundo ele, o animal se transformava em homem à noite e fecundava as mulheres.

O boto, além disso, completa com seus ultra-sons de uma maneira natural a quimioterapia e a radioterapia para pacientes com câncer, segundo Simões. Além disso, estimula a necessidade de comunicação nas crianças com problemas de socialização e dinamiza a aprendizagem nos casos de síndrome de Down.

“Quanto maior é o problema, mais os botos formam empatia com o paciente”, afirma Simões, acrescentando que esses tratamentos trazem o bem-estar aos próprios botos – que, inclusive, “aprendem” a ser mais eficazes.

O efeito terapêutico destes animais, que adultos podem chegar a 180 quilos e 2,5 metros, “é notado desde o primeiro dia”, embora o tratamento possa durar até três anos, em sessões de duas horas.

Este tipo de tratamento é solicitado, na maioria, por pacientes brasileiros, mas também estão começando a chegar pedidos da Europa.

O boto-cor-de-rosa do Amazonas compartilha seu uso terapêutico com o turístico, devido a seu caráter afável e sua facilidade de trato com os humanos, objeto de visitas organizadas quase diárias, que conseguiram a redução da caça desse animal, já que sua carne servia antes de isca para a pesca em grande escala. (Fonte: Folha Online)

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