Células-tronco humanas devolvem mobilidade a ratos

Uma equipe de cientistas da universidade japonesa Keio, em Tóquio, conseguiu melhorar com sucesso os danos na espinha dorsal de ratos, permitindo-lhes recuperar a mobilidade de suas extremidades com a implantação de células-tronco humanas.

Esta é a primeira vez que se consegue transplantar com sucesso para ratos células-tronco de neurônios obtidas a partir de células humanas, que podem dar origem a diferentes tecidos, disse nesta quinta-feira (5) à Agência Efe o chefe da equipe de pesquisa, Hideyuki Okano.

Ele prevê que, se os testes foram positivos, poderão ser aplicados em seres humanos dentro de pelo menos cinco anos.

Apesar dos danos que os roedores sofriam no sistema nervoso central e que causavam a paralisia de suas extremidades, eles puderam recuperar a mobilidade graças à implantação destas células conhecidas como iPS (Induced Pluripotent Stem Cells).

Antes, a equipe do professor Okano conseguido que células-tronco de ratos surtissem efeito em lesões similares, mas esta é a primeira vez que células-tronco de origem humano conseguem reparar o tecido nervoso de outra espécie.

Quatro semanas após o tratamento, os roedores recuperaram a mobilidade e foram capazes de se manter sobre suas patas e, inclusive, de correr.

As células utilizadas na pesquisa provinham de pele humana e foram implantadas em 29 ratos após serem transformadas em células do sistema nervoso.

No entanto, o sucesso desse tratamento não poderá ser totalmente confirmado até que vários meses se passem, já que nesses casos os ratos podem desenvolver tumores embora, após mês e meio, os cientistas não tenham detectado nenhum surto.

Segundo Okano, caso se confirme a viabilidade desta técnica o próximo passo será sua aplicação em testes de laboratório com macacos, para posteriormente iniciar as análises em casos humanos.

O cientista ressaltou à Efe que, para serem aplicado em humanos, deverão passar pelo menos cinco anos, já que se deve obter total segurança de que não se podem desenvolver tumores por meio de numerosos experimentos.

Segundo Okano, o tratamento com células-tronco iPS tem um grande futuro na medicina regenerativa, já que permite a obtenção de diversos tipos de tecidos e órgãos.

A técnica originária foi desenvolvida pelo professor Shinya Yamanaka, da Universidade de Kyoto, destacado pesquisador no campo das células-tronco. (Fonte: Estadão Online)