Plantação de transgênicos cresce 5,3% no Brasil em 2008

A área plantada com produtos transgênicos no Brasil teve crescimento de 5,3% em 2008, atingindo 15,8 milhões de hectares, informou nesta quarta-feira a ISAAA (Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agrobiotecnológicas, na sigla em inglês).

Apesar do aumento do plantio, o crescimento no Brasil ficou abaixo da taxa global. No mundo inteiro houve alta de 9,4% na área cultivada no ano passado ante 2007, atingindo 125 milhões de hectares.

Dos 15,8 milhões de hectares ocupados com plantações de transgênicos no Brasil, 14 milhões são de soja, 1,4 milhão de milho e 0,4 milhão para algodão. A soja geneticamente modificada já representa 64% do total das plantações do grão. Já o milho transgênico ocupa 35% da área total, enquanto que no algodão essa taxa é de 14%.

O Brasil se manteve no terceiro lugar no ranking de plantio de transgênicos, sendo superado apenas pelos Estados Unidos (62,5 milhões de hectares) e pela Argentina (21 milhões de hectares).

Segundo o representante da ISAAA no Brasil, Anderson Galvão, a demora em aprovar o uso de sementes geneticamentes modificadas para o milho fez com que o plantio da safra 2008-2009 não tivesse uma grande porcentagem de transgênicos, e isso “atrasou” a expectativa do país ultrapassar a Argentina no ranking até 2009.

“Admitindo que o ritmo de trabalho na CNTBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) tenha se restabelecido, podemos esperar agora que em dois ou três anos ultrapassemos a Argentina”, disse.

Outra expectativa dos produtores para esse ano é que o governo libere o uso das sementes de genes combinados –ou seja, sejam resistentes tanto aos herbicidas como a insetos. Essas sementes já são usadas nos EUA e na Argentina, mas ainda são proibidos no país.

A mudança mais significativa no ranking mundial foi o da Índia, que ultrapassou o Canadá e agora possui a quarta maior área plantada de transgênicos do mundo, com 7,6 milhões de hectares. Os canadenses agora estão em quinto. Em seguida aparecem a China (3,8 milhões de hectares), Paraguai (2,7 milhões), África do Sul (1,8 milhão), Uruguai (0,7 milhão) e Bolívia (0,6 milhão).

Questionado se a crise financeira global pode brecar o crescimento do uso dos transgênicos, Galvão disse que ocorre justamente o contrário. “São nos momentos de crise que acontecem as maiores taxas de crescimento, pois os produtores procuram ainda mais ganhar rentabilidade”, justificou. (Fonte: Ygor Sales/ Folha Online)