Colisão entre satélites cria nuvem de destroços no espaço

Dois grandes satélites de comunicação chocaram-se na primeira colisão do tipo já registrada em órbita, gerando duas nuvens de destroços que oferecem um pequeno risco para a Estação Espacial Internacional (ISS) e para o próximo voo de um ônibus espacial, previsto para o fim deste mês, mas que são um grande perigo para outros satélites não tripulados.

A Nasa diz que serão necessárias semanas para determinar a magnitude total da colisão, que ocorreu 800 km sobre a Sibéria, no nordeste da Rússia. “sabíamos que um dia ia acabar acontecendo”, disse Mark Matney, um cientista especializado em destroços espaciais do Centro Espacial Johnson, na Nasa.

A Nasa acredita que o risco para a ISS e os três astronautas a bordo é baixo. A ISS orbita a Terra a uma altitude que é cerca de 430 km mais baixa que a do impacto. Também não deve haver perigo para o ônibus espacial com decolagem prevista para 22 de fevereiro, mas esse prognóstico será reavaliado nos próximos dias.

Um porta-voz da Roscosmos, a agência espacial russa, Alexander Vorobyev, disse que “para a Estação Espacial Internacional, neste momento e no futuro próximo, não há risco”.

A colisão envolveu um satélite comercial Iridium, o Iridium 33, lançado em 1997, e um satélite russo, o Cosmos 2251, lançado em 1993 e que, acredita-se, estava descontrolado. O Iridium pesava 560 kg e o Cosmos, quase uma tonelada. Ninguém imagina qual o tamanho dos fragmentos, ou quantos eles podem ser.

“Neste instante, a contagem está em dezenas”, disse Matney. “Desconfio que, quando a contagem terminar, serão centenas”. Quando aos fragmentos muito pequenos, menos que um milímetro, a contagem será de milhares, acrescentou.

Este foi o primeiro impacto em alta velocidade entre dois veículos espaciais intactos, disseram fontes da Nasa. Existem outros quatro casos registrados de colisão acidental em órbita, mas envolveram estágios descartados de foguetes ou satélites de pequeno porte.

Nicholas Johnson, outro especialista da Nasa, disse que o risco de dano causado pelos destroços gerados nesta quinta-feira é maior para o Telescópio Espacial Hubble e satélites que observam a Terra, que se encontram em órbitas mais elevadas e perto do capo de dejetos.

No início do ano, havia cerca de 17 mil pedaços de lixo artificial em órbita ad Terra, disse Johnson. Todos os objetos com mais de 10 centímetros são rastreados pela Rede de Vigilância Espacial dos Estados Unidos, que é operada pelas Forças Armadas. A rede detectou as nuvens de destroços criadas nesta quinta-feira (12).

A Iridium Holdings LLC tem um sistema de 65 satélites ativos que transmitem ligações de telefones portáteis que têm aproximadamente o dobro do tamanho de um celular comum. Conta com mais de 300 mil assinantes. O Departamento de defesa dos EUA é um de seus principais clientes.

A empresa disse que a perda do satélite estava causando pequenas quedas no serviço, mas que espera que o problema esteja resolvido na sexta-feira (13). A Iridium também espera substituir o satélite perdido com um dos oito sobressalentes que mantém em órbita. (Fonte: Estadão Online)