ONG quer convencer consumidores europeus a preservar Amazônia

Grande parte dos alimentos consumidos por europeus causam impacto à floresta na América do Sul. Defendendo essa tese, a rede de ONGs WWF, que atua em vários países do mundo, inclusive no Brasil, quer convencer a população européia a prestar mais atenção no que eles compram no supermercado.

“É muito fácil falar que os brasileiros são culpados pela destruição. Não são. É uma cadeia de compra e venda. Se destruímos a floresta para produzir soja e carne, é porque existe uma demanda violenta por soja e carne. Nosso objetivo é mostrar que o consumidor tem parte nesse problema”, explica Mauro Armelin, Coordenador do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável da WWF-Brasil.

Para provar sua teoria com números, a rede WWF encomendou um estudo na Holanda. A pesquisa “Mantendo a floresta amazônica em pé: uma questão de valores” concluiu que o desmatamento da Amazônia causa problemas que causam gastos à sociedade. Só a erosão de um hectare, por exemplo, geraria um custo de R$ 537 por ano. O raciocínio também pode ser inverso: a preservação de um hectare de floresta poderia render esse valor anualmente por conter a erosão.

Segundo Armelin, o custo desses problemas ambientais deveria estar embutido no preço dos alimentos comprados pelos europeus. “Quando se compra um quilo de soja, ele não paga pelas externalidades, que são o desmatamento, a perda da biodiversidade, a erosão”, argumenta.

Para resolver o problema, o WWF quer que os consumidores se disponham a pagar mais por produtos ecologicamente corretos, em que o preço da conservação ambiental seja inserido no custo. “O que se propõe mudar é que os países consumidores passem a se perguntar como aquilo está sendo produzido. E que eles possam pagar um preço maior, para que seja produzido obedecendo a legislação local, como as reservas, as áreas de proteção etc.” (Fonte :Iberê Thenório / Globo Amazônia)