Contra o desmatamento, estatização em cidade do PA

Um ano após a Operação Arco de Fogo, desencadeada em fevereiro de 2008 para combater o desmatamento na Amazônia, o município de Tailândia (PA), a 230 km ao sul de Belém, se destaca nas soluções para conter a crise social provocada pelo fechamento de 58 madeireiras e o desemprego de cerca de 8 mil pessoas que viviam diretamente da atividade madeireira ou de sua cadeia produtiva. A estratégia estatista criou uma “prefeitura-empresária” que dá trabalho em um leque industrial e de serviços, que vai do setor de confecções à pasteurização do leite.

A operação do governo federal ajudou a conter o desmatamento, como atesta Paulo Barreto, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Das 90 madeireiras que existiam, 32 continuam a trabalhar, agora de forma legal. A prefeitura abriu uma fábrica de leite que compra toda a produção local, beneficia 4,2 mil litros diariamente, e os distribui de graça para a população. Montou também uma fábrica de confecção com meta de produção de 60 mil peças mensais e emprego para 300 pessoas. Aos que plantam grãos, presenteou-os com um silo para a secagem dos cereais.

Carvoarias postas abaixo pela operação, que teve a participação de 300 homens da Polícia Federal, Força Nacional de Segurança e Instituto do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), foram substituídas por uma fábrica de lenha industrial destinada a manter a venda do produto para as metalúrgicas da região de Marabá, a cerca de 300 km mais ao sul. Essa lenha, conhecida por briquete, é feita a partir da prensagem do pó de madeira, matéria-prima abundante em Tailândia, uma das ameaças constantes ao ambiente, visto que há montanhas de serragem por toda a cidade.

Por imposição do Ministério Público, a prefeitura foi ainda obrigada a montar um centro de produção de mudas e se comprometer a plantar 50 milhões de árvores nativas até 2013. Tailândia havia sido transformado, no ano passado, em uma espécie de município-sede da operação da PF e, por causa disso, também virou símbolo do desmatamento. (Fonte: João Domingos/ Estadão Online)