Museu conta a história do guaraná no Amazonas

O guaraná movimenta a vida rural em Maués (AM). Ele é tão importante que foi criado até um museu para contar e preservar sua história. As fotos mais antigas mostram os índios pilando o grão. Em uma das salas, há uma réplica do tacho de barro usado por eles, para torrar o guaraná.

Segundo Valéria Freitas, a responsável pelo museu, uma lenda conta a história do guaraná. Moravam três índios, três irmãos. Uma delas era chamada de Onhiamuaçabé. Ela era virgem e um dia, caminhando pela floresta, passou uma cobra, encostou nela e ela engravidou. “Os irmãos não gostaram da idéia, então, quando nasceu o bebê, eles mataram a criança. Ela encontrou o corpo e os dois olhos, que haviam sido tirados. A mãe decidiu enterrar o olho direito e nasceu o pé do guaraná. Ela disse que ele seria abençoado, que ia curar doenças e fazer o bem para as pessoas.”

Como diz a lenda, o fruto do guaraná maduro realmente parece um olho. Tanto a casca quanto a parte branca são descartadas. Apenas o grão de cor preta é usado comercialmente.

A planta é originária da Amazônia. Em plantação aberta, ela não passa de três metros de altura e gosta de clima quente e úmido. Os frutos dão em cachos.

Pesquisa

Na Embrapa-Amazônia Ocidental, um time de cientistas busca maior eficiência no cultivo da planta. Em duas décadas de pesquisa, eles montaram um banco de germoplasma, com mais de 1.500 plantas coletadas em diferentes regiões do estado do Amazonas.

E já lançaram 12 variedades mais produtivas e resistentes à principal doença do guaranazeiro, a antracnose, que é causada por um fungo.

Até 2010, a Embrapa pretende lançar outras quatro variedades resistentes a essa doença. “Quando você trabalha com um material só, pode surgir uma raça nova desse fungo e atacar a variedade o produtor que tiver só um material plantado. Ele vai perder 100% da sua lavoura, do seu plantio”, diz o agrônomo Firmino Nascimento.

O guaranazeiro rende safra todo ano, de outubro a janeiro, e pode produzir por pelo menos duas décadas.

Artesanato

Na cidade, o guaraná que dá sabor também vira arte. Pode ser uma bijuteria, artigo de cozinha ou pequenas esculturas.

As artesãs se uniram numa associação e revivem uma tradição quase perdida. Para fazer as peças, elas misturam no pilão o guaraná em pó com água. E vão modelando a massa. Não usam cola. E, aos poucos, vão surgindo os frutos, bichos e os curiosos macaquinhos.

“Na colheita do guaraná, os macaquinhos ficam pulando em cima das árvores, de um lado pra outro. Aí, os produtores ficam chateados com os macaquinhos porque eles ficam jogando a flor do guaraná que está aberto. Então, todo mundo resolveu fazer os macacos em homenagem aos produtores rurais, aos produtores do guaraná”, conta uma artesã. (Fonte: G1)