Comunidade científica ganha navio hidroceanográfico

Oceanógrafos de todo o Brasil contam a partir de agora com uma embarcação que irá ajudar a aprofundar as pesquisas nas áreas de oceanografia física, química e biológica, meteorologia e batimetria (mapeamento do fundo do mar, de rios e lagos).

O navio Cruzeiro do Sul foi apresentado na quarta-feira (4), no complexo naval Ponte da Armação, na cidade de Niterói (RJ), e é fruto da parceria entre a Marinha e o Ministério da Ciência e Tecnologia.

Embora já existam dois navios hidroceanográficos que também podem ser utilizados para pesquisa, o Cruzeiro do Sul é o único que possui um conjunto de equipamentos para atender a todas as áreas da oceanografia. A princípio, a comunidade científica terá 80 dias de mar por ano para desenvolver pesquisas.

O professor Heringer Villena, da Faculdade de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), foi um dos acadêmicos convidados para conhecer a nova embarcação. Ele acredita que a parceria da Marinha com a comunidade científica é um avanço na busca de maior conhecimento do ambiente marinho e irá beneficiar a sociedade como um todo.

“Os outros navios, em sua maioria, são para trabalhos hidrográficos restritos à Marinha, a abertura é muito menor. Então, essa parceria, que define dias de mar para pesquisa com a comunidade científica, abre um leque de possibilidades muito maior para o desenvolvimento da ciência no Brasil.”

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, que participou da solenidade, admite que 80 dias de mar para os pesquisadores ainda não é o ideal, mas que vai estudar, junto com o comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Julio Soares de Moura Neto, uma maneira de aumentar esse período.

Ao todo, foram investidos cerca de R$ 26 milhões na compra do navio e nas instalações dos equipamentos, quase todos importados. Uma das novidades é o guincho oceanográfico de águas profundas que permite que os equipamentos desçam a uma profundidade de cerca de 5 mil metros.

A primeira viagem do navio está prevista para 9 de março e terá duração de 2 meses, segundo o 1º tenente Fábio Bambace, um dos seis oficiais do navio. O objetivo da expedição, que contará com 14 pesquisadores, além da tripulação, será estudar a massa de água e as correntes da costa sul do país.

Outro professor convidado, o oceanógrafo Marcos Fernadez, também da UERJ, elogiou a iniciativa, que possibilitará monitoramentos contínuos de fenômenos marítimos. No entanto, ele acredita que os recursos e a infra-estrutura para as pesquisas ainda estão muito aquém do necessário.

“Na verdade, não é só uma questão de recurso. A gente precisa de uma maior integração do conhecimento. Desenvolver tecnologia própria em vez de importar tecnologias estrangeiras. Precisamos de um parque de embarcações maior. Nós estamos muito atrás do que deveríamos, especialmente em tecnologia submarina.”

O ministro Sergio Rezende afirmou que a expansão do sistema de ciência e tecnologia, e conseqüentemente das pesquisas, é uma prioridade do governo brasileiro. “A próxima etapa será a construção de um navio de pesquisa nacional projetado e construído no Brasil”, afirmou.

O ministro e o comandante da Marinha também anunciaram a aquisição de mais um navio polar para incrementar a presença do Brasil na Antártica e as pesquisas no local. A embarcação, produzida na Alemanha, deve chegar ao Brasil no dia 7 de abril. Esse será o segundo navio polar brasileiro. (Fonte: Flávia Vilela/ Agência Brasil)