Crocodilo-tatu pré-histórico viveu em SP

Um réptil pré-histórico da família dos crocodilos – mas com uma inusitada carapaça, similar à de um tatu – habitou o Brasil há 90 milhões de anos. Os descobridores da espécie revelaram seu trabalho ontem, apresentando uma reconstituição do animal no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

O animal foi batizado com o nome científico Armadillosuchus arrudai. O primeiro nome, que designa o gênero do bicho, significa crocodilo-tatu. O segundo, que se refere à espécie, é uma homenagem a João Tadeu Arruda, 59, professor de ciências que faz pesquisas por conta própria e achou restos do animal em General Salgado, no interior paulista, em 2005.

Segundo os cientistas, o Armadillosuchus habitava também áreas do Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

A caracterização científica do animal foi feita pelo geólogo Ismar de Souza Carvalho e pelo paleontólogo Thiago Marinho, ambos da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). O réptil, dizem, tinha dois metros de comprimento, pesava 120 kg, e guardava hábitos bem diferentes dos crocodilos atuais. “Crocodilos sempre foram associados a lugares úmidos, mas essa espécie vivia em um ambiente árido”, diz Carvalho.

A carapaça servia para proteger o animal tanto das variações climáticas como dos ataques de predadores. E os estudos indicam que ele sabia mesmo escavar, como um tatu, e comia raízes de árvores e outros vegetais. O Armadillosuchus viveu no período Cretáceo, quando a temperatura diurna chegava a 45ºC.

Segundo Carvalho, é provável que a extinção do animal esteja ligada a uma mudança climática que resfriou seu habitat. Apesar de ser similar aos crocodilos, não existem descendentes vivos do animal hoje.

Arruda diz que achou o fóssil por dica de um aluno que lhe levara um osso. “Pedi para ele me mostrar onde tinha achado, e encontramos vários outros”, diz. “Notei a diferença (em relação a fósseis mais comuns) e pensei: “esse é horroroso”.

Um estudo sobre o animal foi publicado no “Journal of South American Earth Sciences”. (Fonte: Fábio Grellet/ Folha Online)