Ministério admite que Influenza tem controle falho

O sistema de vigilância sentinela do vírus da gripe no Brasil tem “falhas e descontinuidades” em “grande parte” da sua rede, segundo admite o Ministério da Saúde em protocolo contra a gripe suína divulgado na quarta-feira (8). O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, no entanto, havia dito nesta semana que a rede “em grande parte funciona”.

O sistema, que é operado por Estados e municípios, tem 62 unidades que devem monitorar os tipos de vírus influenza (o vírus da gripe) circulantes para auxiliar na produção de vacinas e verificar se há novos tipos afetando a população. É muito importante no momento atual, em que o País poderá ter o vírus da nova gripe suína circulando em alguns meses. Até agora foram confirmados 977 casos no País.

Para o monitoramento, cada uma das unidades deve coletar no mínimo cinco amostras de secreções de pacientes semanais para testagem, além de registrar o número de atendimentos por gripe, por faixa etária, e comparar com o volume de outros atendimentos das mesmas faixas feitos por outras áreas.

No entanto, segundo o documento do ministério, “a análise dos dados de atendimento e coleta registrados no sistema de informação (…) tem apontado para a necessidade de fortalecimento das ações preconizadas para esta vigilância, considerando que ainda há muitas falhas e descontinuidade das atividades em grande parte da rede e que esta é uma estratégia que pode captar casos de influenza pelo novo vírus de influenza A(H1N1) na comunidade.”

Apesar do documento oficial falar em problemas em “grande parte” da rede, a pasta, via assessoria, informou ontem que as falhas são da “minoria”, mas não forneceu os locais em que os problemas foram detectados nem concedeu entrevista. Informou apenas que existiriam falhas no número de amostras coletadas.

Segundo especialistas, os maiores problemas vêm ocorrendo na rede sentinela da cidade do Rio de Janeiro, desde o ano passado. Anteontem houve uma reunião de emergência para a retomada total dos trabalhos. “Durante a epidemia de dengue (de 2008) houve descontinuidade da rede sentinela”, admitiu o superintendente de vigilância em saúde da cidade, José Cerbino Neto, que alegou ainda que os laboratórios estavam sobrecarregados por testes da nova gripe e não podiam atender a rede. A situação melhorou, afirma. Ainda segundo o dirigente, as avaliações do número de casos atendidos já foram retomadas.

“A questão é de prioridades. Em muitos locais, considera-se que é necessário priorizar outras doenças e é bom que neste momento se interfira para que a rede seja adequada”, opinou Marilda Siqueira, responsável pelo laboratório de vírus respiratórios da Fiocruz. (Fonte: Fabiana Leite/ Estadão Online)