Estudo da Fiocruz determina padrões de migração do vírus da dengue no mundo

O pesquisador Josélio Araújo, do Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), traçou a dispersão do vírus dengue sorotipo 3 (DENV-3) ao redor do mundo nos últimos 50 anos. De acordo com informações da Fiocruz, o estudo é a mais completa análise dos aspectos filogenéticos, migratórios e evolutivos do DENV-3 já realizada no mundo.

Uma das conclusões estimou que o ano de origem desse tipo do vírus no planeta foi em 1890. Já o surgimento da atual diversidade dos principais genótipos do DENV-3 foi estimado entre 1960-1970, coincidindo com o crescimento da população, urbanização e movimento humano.

Atualmente há cinco genótipos diferentes do sorotipo 3 do vírus da dengue, cada um deles predominante em regiões específicas. Para explicar como cada um desses genótipos se tornou predominante em diferentes locais, os pesquisadores partiram da análise de amostras do sorotipo 3 do vírus da dengue obtidas no Brasil, onde circula desde o ano 2000.

O pesquisador destaca ainda que foi identificada uma tendência de que apenas um genótipo do DENV-3 circule em cada região. Araújo explica que é rara a circulação de mais de um genótipo em uma localidade.

O estudo também analisou a evolução em regiões que sofreram epidemias de dengue desde a década de 70, como Indonésia e Tailândia. Ela foi semelhante ao observado em regiões que presenciam essas epidemias desde a década de 90 – o caso das Américas. A pesquisa foi publicada no jornal “Infection, Genetics and Evolution”. (Fonte: Estadão Online)