Réptil de milhões de anos encontrado na China pode ser visto no Museu Nacional do Rio

A paleontologia, ciência que estuda a vida do passado na Terra, deu um passo significativo nesta semana no conhecimento de uma espécie alada de réptil extinta há milhões de anos.

O exame do fóssil de uma asa de pterossauro achado na Mongólia Interior, no Nordeste da China, revelou que ele tinha sangue quente, ou seja, situava-se entre os animais cientificamente chamados de “endotérmicos”.

Essa constatação se deu graças ao emprego de uma nova tecnologia alemã de análise que possibilitou a detecção de pelos na parte exterior da asa do animal.

Segundo o biólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a descoberta é importante porque é a primeira vez que se descobre um réptil com sangue quente (endotérmico).

Ele disse que o fóssil ficará exposto no museu nos próximos meses. Kellner lembrou que as aves também são répteis e endotérmicas.

Outro fato importante sobre a asa encontrada na China é que possivelmente o réptil alado, que viveu há mais de 130 milhões de anos, movimentava as asas com muito mais desenvoltura do que os voadores atuais, como os morcegos, cujas asas têm estrutura semelhante às do pterossauro.

Uma intrincada trama de fibras superpostas, chamadas actinofibras, encontrada sob a pele, permite à ciência supor que o pterossauro não batia as asas apenas, mas também podia fazer outros movimentos.

Mas, por enquanto, segundo Kellner, ainda não é possível determinar quais seriam esses movimentos até porque não se conhece ainda que tipo de tecido compunha as fibras encontradas.

A análise do fóssil foi feita em conjunto pelo Museu Nacional, Museu de Ciências da Terra do Departamento Nacional da Produção Mineral, Museu Jurássico de Eichstaedt, na Alemanha, e pelo Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia de Beijing, na China.

Kellner foi o coordenador brasileiro da pesquisa internacional. “O arranjo de diferentes camadas no interior da asa do animal é único na natureza e só foi detectado neste caso”, explica, ressaltando que o desconhecimento sobre a constituição biológica das actinofibras eleva o nível de expectativa no meio científico.

As descobertas sobre o fóssil chinês foram possíveis graças à tecnologia desenvolvida pelo paleontólogo Helmut Tischlinger, do Museu de Eichstaedt (Alemanha), com lâmpadas de luz ultravioleta e filtros que refletem, de forma diferenciada, os tecidos preservados de um fóssil.

O fóssil estudado é da espécie Jeholopterus ningchengensis e está em excelente estado de conservação, inclusive com tecidos moles preservados, particularmente os da membrana da asa entre o corpo e o esqueleto do animal.

A pesquisa brasileira foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
(Fonte: Luiz Augusto Gollo / Agência Brasil)