Projeto quer estimular a astronomia em países em desenvolvimento

“Desenvolvendo Astronomia” (Developing Astronomy) é o nome de um projeto criado pela União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês) para estimular esse ramo da ciência nos cantos mais remotos do planeta, como alguns países em desenvolvimento ou aqueles com problemas de acesso à tecnologia. O plano para o desafio foi apresentado durante a 27ª assembléia da organização, que está sendo realizada no Rio de Janeiro desde o dia 4 e vai até esta sexta-feira (14).

As ações implementadas são as mais variadas. Preveem, por exemplo, a distribuição de 7 mil telescópios, além de ajuda financeira para espalhar a astronomia pelo globo. Países como Nigéria, Mongólia, Nepal e Uruguai foram contemplados com recursos que serão usados, entre outras coisas, na realização de workshops destinados a professores, na preservação do conhecimento indígena sobre astronomia e na produção de educação em astronomia nas línguas locais, entre outras medidas.

“Aproveitamos o momento do Ano da Astronomia para iniciar o projeto. A ideia é que seja apenas o começo”, comenta o sul-africano Kevin Govender, astrônomo e coordenador do projeto.

Medidas simples também podem fazer a diferença: “Estamos preparando, por exemplo, um CD com todas as informações do congresso para levar à África do Sul e distribuí-lo, já que há muitos locais no país com problemas de acesso à internet”, conta Govender.

O levantamento do estágio astronômico em que se encontram os países também é fundamental: indica a quantidade de astrônomos profissionais de determinada comunidade, a presença da astronomia nas escolas e quanto o público tem acesso ao assunto.

É graças à pesquisa que se descobre para onde a estratégia da União Astronômica Internacional deve estar direcionada e o que precisa ser feito. “Se um astrônomo consulta esses dados antes de visitar uma localidade que não tem física astronômica, por exemplo, pode se preparar para fazer uma palestra sobre o assunto”, explica Govender.

Os países em desenvolvimento com dificuldades econômicas e pouco acesso à tecnologia são os que apresentam a maior precariedade nesse sentido. “Não há astronomia profissional em Angola. Havia um observatório amador, mas depois da independência de Portugal em 1975, parou de funcionar”, relata o astrônomo angolano Jaime Vilinga. Desde então, a astronomia foi um campo praticamente nulo. “As pessoas na África que vão estudar fora de seus países voltam e não conseguem trabalhar na área”, diz.

As perspectivas começaram a mudar apenas com um eclipse solar em 2001 que atraiu a atenção de cientistas internacionais. “É difícil conseguir investimentos em astronomia diante de problemas como a fome”, relata Vilinga.

Em São Tomé e Príncipe, a situação não é muito diferente. “Lá nem os professores tem formação,” conta astrônoma portuguesa Maria Cruz, que lecionou no país.

Ao mesmo tempo, com um céu menos ofuscado pela poluição luminosa, características dos grandes centros industriais, a relação da população com as estrelas era muito mais estreita. “Os estudantes faziam perguntas baseadas em sua observação que me impressionavam e às vezes eu nem sabia responder.” Justamente grande parte dos locais que têm o céu com a maior quantidade de estrelas são aqueles com pouco ou nenhum investimento em astronomia profissional.

Trio – Encélado, Europa e Titã podem ter abrigado vida no passado. Esse foi o tema da palestra do astrônomo francês Regis Courtin, do Observatoire Paris-Site de Meudon, apresentada na 27ª Assembléia da União Astronômica Internacional.
“Um pequeno corpo, mais ou menos do tamanho da Inglaterra”, foi como Courtin definiu Encélado, o menor satélite de Saturno, com 500 km de diâmetro. Essa lua tem um oceano de água salgada embaixo de uma camada de gelo no seu polo sul. A sonda Cassini registrou imagens de gêiseres de vapor e gás, que indicam ainda que há reservatórios de água no planeta.

Sobre Europa (que tem 3.138 km de diâmetro), Courtin comentou: “Há uma forte evidência de que há um oceano líquido embaixo de sua superfície, além disso pode ter tido oxigênio disponível.”

Bem maior do que Encélado, Titã, a maior lua de Saturno, tem 5.151 km. “É quase do tamanho de um planeta”, disse Courtin. O satélite também tem pistas de que tem um oceano interior com parte de gelo e outra de material rochoso. (Fonte: Claudia Bojunga/ G1)