Chimpanzés matam uns aos outros para conquistar território

“A mensagem é simples. Os chimpanzés matam uns aos outros, matam seus vizinhos. Até agora, não sabíamos por quê. Nossas observações indicam que fazem isso para expandir seus territórios à custa dos vizinhos.”

John Mitani, antropólogo da Universidade de Michigan (EUA), não podia ser mais claro ao resumir dez anos de dados sobre uma comunidade de chimpanzés no parque nacional Kibale, em Uganda.

Em artigo na última edição da revista científica “Current Biology”, Mitani e seus colegas mostram que os bichos mataram 21 membros de um bando rival nessa década, o que fez com que o território do grupo atacante aumentasse em quase um quarto.

O conflito letal entre os primos mais próximos da humanidade é conhecido há décadas. Nas guerras entre dois grupos de Gombe, na Tanzânia, um bando chegou a ser extinto, com membros remanescentes sendo incorporados à “tribo” vencedora.

Bananas da discórdia – O problema é que, em Gombe, os bichos estavam recebendo bananas dos pesquisadores, o que pode ter catalisado a pancadaria -um contexto que não seria natural para chimpanzés. Em outros locais, as brigas não tinham sido vistas diretamente. Mitani e companhia sanaram tais dúvidas ao presenciar 18 das mortes ou ferimentos letais em Kibale.

No parque de Uganda, o grupo atacante ocupava uma área de cerca de 30 km2 entre 1999 e 2008. Os bichos, no entanto, às vezes deixavam esse território em “patrulhas de fronteira”, caminhando em fila indiana, quietos, em busca de sinais de outros macacos. Em 17 dos casos, os ataques letais foram obra de grupos de patrulha formados por machos adultos.

Talvez um dos motivos para a sanha “conquistadora” do grupo seja seu tamanho: são cerca de 150 indivíduos, enquanto é mais comum que as comunidades de chimpanzés tenham em torno de 30 membros. O que está claro é que as áreas antes patrulhadas, a nordeste do território do bando, passaram a ser ocupadas com regularidade.

Antes do novo trabalho, especulava-se que os ataques pudessem estar ligados à obtenção de fêmeas de grupos rivais. Mitani e seus colegas dizem que ainda não é possível descartar esse hipótese, mas argumentam que a aquisição de território está mais bem fundamentada. (Fonte: Reinaldo José Lopes/ Folha.com)