Existência de novo elemento químico é confirmada por dois laboratórios

A tabela periódica deve ficar maior: três laboratórios independentes criaram átomos com 114 prótons em seu núcleo.

Em 1999, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Nuclear em Dubna, Rússia, afirmaram ter criado átomos do elemento 114. Mas não havia confirmação independente. Agora, dois outros laboratórios também conseguiram fabricar o elemento.

Uma equipe foi liderada por Heino Nitsche e Ken Gregorich, no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, na Califórnia; a outra foi liderada por Christoph Düllmann, do Centro de Pesquisa em Íons Pesados, em Darmstadt, Alemanha.

Como o grupo de Dubna, os grupos americano e alemão lançaram átomos de cálcio, contendo 20 prótons em seu núcleo, contra átomos de plutônio, contendo 94 átomos.

Em alguns casos, o núcleo de um átomo de cálcio se fundiu com o de um átomo de plutônio, criando um átomo com 114 prótons.

O laboratório americano detectou dois átomos do elemento 114, enquanto o laboratório alemão detectou 13.

A maioria dos átomos decaiu para átomos mais leves em frações de segundo, embora um deles tenha levado 3,6 segundos para se quebrar.

A cadeia de produtos de decaimento fornece uma assinatura que confirma a existência do elemento 114.

Os resultados foram publicados no periódico “Physical Review Letters”.

Batismo – Com base nesses resultados, a Iupac (União Internacional de Química Pura e Aplicada, na sigla em inglês) redigiu um relatório para adicionar oficialmente o elemento à tabela periódica. O relatório está em processo de revisão.

Se aprovado, além da adição à tabela periódica, o novo elemento deve ganhar um nome. Em fevereiro, um elemento com 112 prótons foi reconhecido pela Iupac e chamado de copernício em homenagem ao astrônomo polonês Nicolau Copérnico.

Propriedades – As propriedades químicas do elemento 114 ainda são uma incógnita. O elemento pode ser tanto um gás nobre quanto um metal dependendo de seu comportamento.

O experimento alemão permitiu criar e capturar o elemento de uma forma mais eficiente, o que deve permitir a realização de testes mais eficientes.

Se o elemento 114 for capaz de grudar em uma superfície de ouro, por exemplo, ele estaria mais próximo dos metais. Se, por outro lado, o elemento 114 não interagir com ouro, ele seria considerado um gás nobre. (Fonte: Folha.com)