Secretário de Angra considera correto o pedido de suspensão das obras de Angra 3

O secretário do Meio Ambiente de Angra dos Reis, Marco Aurélio Vargas, considerou “corretíssima” a atitude do Ministério Público Federal (MPF) de recomendar a suspensão das obras e da licença da Usina Nuclear Angra 3 até que seja apresentada a análise probabilística de segurança e acidentes severos relacionada ao projeto. A recomendação foi encaminhada na noite de quinta-feira (24) pelo MPF à Eletronuclear e à Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnem). “Eu acho que o Ministério Público está corretíssimo em entender que todos os dados disponíveis são importantes para viabilizar toda essa questão, na maior segurança necessária”, disse o secretário.

Vargas salientou nesta sexta-feira (25), em entrevista à Agência Brasil, que o governo municipal não está preocupado em medir impactos socioeconômicos para a cidade. “Nós estamos preocupados, sim, com a nossa segurança e, em paralelo, com a parte social da cidade. Que não venha a acontecer novamente em Angra dos Reis o que aconteceu ao longo da década de 70, até o término da unidade 2 [Angra 2], que é a pobreza do nosso município”.

A construção e a administração das duas primeiras usinas nucleares brasileiras (Angra 1 e 2) foram de competência de Furnas até a criação da estatal Eletronuclear, em 1997. O secretário municipal afirmou que Furnas não se preocupou em atender a população de Angra. “Furnas, à época, estava preocupada apenas em dar atenção devida aos trabalhadores e visitantes no entorno da central nuclear, fazendo a implantação de vilas residenciais, com toda a infraestrutura que nós não tínhamos [no município]”.

Com a construção de Angra 3, Vargas espera que a Eletronuclear tenha como princípio básico atender à demanda da população local. Na avaliação dele, uma possível suspensão das obras de construção da usina não terá impacto na oferta de empregos no município, uma vez que a obra ainda não avançou. “Não está no pico, está na fase de implantação. Então, não traz prejuízos”. (Fonte: Alana Gandra/ Agência Brasil)