Polícia intensifica combate a baloeiros

Já começou a temporada mais perigosa do ano para o combate a quem solta balões. Clima seco, poucas nuvens, pouco vento são as condições ideais para essa prática criminosa.

“Este ano, mais do que nunca, que tem a peculiaridade da Copa do Mundo, que coincidiu com feriadões e as festas juninas e julinas. A cultura do balão é uma cultura ultrapassada. É uma cultura danosa ao meio ambiente, danosa ao nosso patrimônio, e danosa, danosa à vida”, diz Mário Fernandes, do Batalhão Florestal da Polícia Militar no Rio de Janeiro.

Fabricar, vender, transportar ou soltar balões é crime que dá até três anos prisão. Mas os baloeiros acham que nunca vão ser punidos. “Não vou para cadeia, vou à cadeia por quê?”, questiona o baloeiro.

Neste fim de semana, em poucas horas de voo, foram registrados 30 flagrantes em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na capital paulista, um balão chegou a avançar contra um prédio, virou uma bola de fogo pendurada na varanda do último andar, obrigando a moradora a agir depressa para evitar uma tragédia.

Na Zona Oeste do Rio de Janeiro, um brinquedo do parquinho de um prédio também pegou fogo. O causador disso tudo foi “um balão de um metro e meio. Ele continha umas seis lanterninhas vermelhas”, como descreveu o dentista Carlos Araújo.

No fim de semana passado, o fogo em um morro da Zona Sul do Rio de Janeiro assustou moradores de quatro bairros. O incêndio destruiu o equivalente a quatro estádios do Maracanã. Os locais mais atingidos pelas chamas foram o Morro dos Cabritos, Ladeira do Sacopã e o Corte do Cantagalo, que são áreas de capim e mato, mais suscetíveis aos estragos do fogo. De acordo com os bombeiros, não houve feridos.

Com o fogo alto, a fuligem e a poeira se alastrando rapidamente, muitas pessoas chegaram a abandonar apartamentos e casas, temendo que fossem atingidos pelas chamas. “Você vai vendo o pavor na feição das pessoas e vai ficando angustiada”, conta uma moradora.

A polícia não tem mais dúvidas de que um balão causou o incêndio. Segundo investigadores, três grupos suspeitos de terem soltado o balão já foram identificados. No Rio, nos últimos três meses, pelo menos 30 baloeiros foram para a cadeia.

Muitas dessas prisões só puderam ser realizadas com ligações para o Disque-Denúncia. O serviço aumentou de R$ 1 mil para R$ 2 mil a recompensa por informações que levem à prisão desses criminosos. “Isso causa problemas para o meio ambiente, queimadas. Mas vou parar, se Deus quiser”.

A polícia tenta apertar o cerco contra baloeiros. Muitas operações começam antes de o dia clarear. O patrulhamento será intensificado também pelo mar e pelo ar. Os céus continuam cheios de balões, e eles vão caindo em qualquer lugar.

Em 2008, o Fantástico mostrou que um deles, cheio de fogos, entrou pela janela do apartamento de uma mulher, no bairro de Copacabana, na Zona Sul do Rio. “Olhei para as minhas mãos e elas estavam esfaceladas”, disse Flávia Brandão, que é massoterapeuta, e teve queimaduras de segundo e terceiro graus nas duas mãos e na barriga.

”Eu fiquei inativa por um bom tempo. Ainda tenho como se fosse uma fobia. Escuto fogos, tremo por dentro até hoje ainda”, contou.

Os baloeiros não sentem remorso e gostam de se exibir na internet, publicando fotos e vídeos que comprovam a atividade criminosa. Há sites que fazem a estatística dos balões que são soltos mês a mês, outros vendem DVDs. Em redes sociais, comunidades de até 20 mil membros desafiam a lei.

“É uma irresponsabilidade total, porque as pessoas que fazem isso não sabem o risco que pode acontecer. Em uma área totalmente edificada, com brinquedo central no meio, um balão pode cair em cima. Pode acontecer qualquer coisa, em qualquer carro, qualquer situação. É uma coisa muito perigosa, que tem que se dar uma penalidade grande, pra poder evitar esses problemas”

“Eles só querem achar que é bonito soltar aquilo, independente das vítimas que eles vão fazer”, disse Flávia Brandão.
(Fonte: G1)