Humanos chegaram a ilhas britânicas antes do que se pensava, diz estudo

Cientistas descobriram instrumentos de pedra em Norfolk, no Reino Unido, que sugerem a presença humana nas ilhas britânicas há cerca de um milhão de anos.

A descoberta, publicada na revista “Nature”, indica que os primeiros humanos chegaram ao território do atual Reino Unido centenas de milhares de anos antes do que se pensava.

Dados ambientais sugerem que as temperaturas eram relativamente frias, levantando a possibilidade de que esses seriam alguns dos primeiros humanos a usar fogo para se aquecer. Eles também podem estar entre os primeiros grupos a usar peles de animais para se vestir.

As descobertas foram feitas em Happisburg, no norte do condado de Norfolk. Na época havia um istmo conectando a Europa continental ao que é hoje o Reino Unido.

Embora não tenham encontrado restos humanos, os pesquisadores acreditam que a espécie era de Homo antecessor, conhecido como “Homem Pioneiro”.

Restos da espécie, com idades entre 800 mil e 1,2 milhão de anos antes do presente, haviam sido encontrados na região de Atapuerca, no norte da Espanha. A espécie britânica poderia ter chegado a Norfolk nesse período, diz Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres.

“Se o clima era bom e a ponte de terra estava lá, não há motivo para que não pudessem vir às ilhas britânicas há 1,2 milhão de anos”, disse à “BBC News”.

Pioneiro – O “Homem Pioneiro” era semelhante a nossa espécie porque andava com postura ereta, usava instrumentos e era caçador-coletor.

Mas fisicamente a espécie era bastante diferente. Tinham cérebros menores, tóri supraorbitais fortes e dentes grandes. A espécie tinha algumas características primitivas, como rosto achatado e ausência de queixo saliente na mandíbula inferior.

A descoberta levanta várias questões. Como as criaturas lidavam com os invernos frios? Teriam sido as ilhas britânicas as primeiras em que o fogo foi usado de forma controlada para aquecimento?

“Embora não tenhamos evidência de que usavam fogo ou roupas para sobreviver ao inverno, imagino que eles devem ter tido algumas adaptações adicionais”, disse o professor Stringer.

A pesquisa foi liderada por Nick Ashton, do Museu Britânico, de Londres, como parte do projeto Ocupação Humana Antiga das Ilhas Britânicas (AHOB).

“A descoberta foi surpreendente por estávamos lidando com uma data incrivelmente remota”, disse Ashton.

Ele acrescentou que os dados ambientais que indicaram a presença de temperaturas baixas foram “ainda mais surpreendentes”.

“É incomum encontrar humanos vivendo em climas tão frios tão ao norte em data tão remota”, disse.

Geografia – Essa área de Norfolk era bastante diferente há um milhão de ones.

“O rio Tâmisa passava por essa área. E no local [onde os instrumentos foram encontrados] existem sedimentos depositados pelo Tâmisa”, explicou.

O “Homem Pioneiro” foi extinto em uma das Eras do Gelo. Elas ocorrem a cada 100 mil anos, e a cada vez que ocorrem, as ilhas britânicas acabam se tornando desabitadas.

Quando as condições climáticas melhoraram, um novo grupo de humanos chegava.

Houve pelo menos oito ondas diferentes de pessoas que se estabeleceram e morreram antes da última onda, que é a que sobrevive até hoje. (Fonte: Folha.com)