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17 / 07 / 2010Conferência sobre Aids aborda pistas promissoras no combate à doença
A 18ª conferência internacional sobre Aids debaterá, em Viena, novas pistas promissoras, como propor análises de diagnóstico precoce para todo aquele que desejar, ou tratamentos mais simples e mais rápidos para combater uma doença que mata dois milhões de pessoas a cada ano.
A Sociedade Internacional de Aids escolheu o tema “Direitos aqui e agora” para o evento, que será celebrado entre 18 e 23 de julho, em Viena, e que contará com mais de 20 mil cientistas, médicos e membros de associações.
A igualdade neste acesso ao tratamento e na prevenção é o fundamento de uma resposta adequada à pandemia, segundo os organizadores.
“Será a conferência dos sem voz”, disse o diretor-executivo da OnuAids, Michel Sidibé.
O “aqui” se refere à proximidade com o leste europeu e a Ásia central, únicas regiões onde a epidemia avança, especialmente entre os consumidores de drogas injetáveis.
Três ex-presidentes latino-americanos e intelectuais da região deram seu apoio à “Declaração de Viena”, que exige uma nova política sobre as drogas para prevenir a propagação da Aids.
O ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, o mexicano Ernesto Zedillo e o colombiano César Gaviria assinaram este documento, redigido por especialistas de renome por ocasião da 18ª conferência internacional.
Os escritores peruano Mario Vargas Llosa e brasileiro Paulo Coelho também assinaram o documento.
Os especialistas que impulsionam a “Declaração de Viena” julgam que as políticas repressivas contra a droga contribuem para a difusão do vírus, já que os dependentes químicos têm pouco acesso a cuidados médicos.
Fora da África subsaariana, uma contaminação em cada três está relacionada com o uso de drogas injetáveis.
Na Ásia Central e no leste europeu, únicas regiões onde a epidemia progride, trata-se do primeiro fator de contágio.
“A guerra contra a droga fracassou. Na América Latina, o único resultado da proibição foi o de deslocar as áreas de cultivo e os cartéis de um país a outro, sem reduzir a violência ou a corrupção que o tráfico gera”, destacou Fernando Henrique, citado no comunicado.
Os três ex-presidentes chefiam a Comissão Latino-americana sobre Drogas e Democracia que, segundo o site da instituição na internet, trabalha a favor de políticas contra as drogas mais eficazes e mais humanas.
As novas pistas da luta contra a doença são muitas.
Para a OnuAids, é preciso facilitar o acesso com um medicamento “mais inteligente, melhor e menos tóxico” e um sistema de distribuição mais simples e barato.
Desta forma, segundo a agência das Nações Unidas, seria possível reduzir em um milhão anuais as novas infecções e evitar 10 milhões de mortes até 2025.
Para ir além, será abordada em Viena a possibilidade de uma análise de diagnóstico precoce (voluntário) que seria oferecida a todos, e de um tratamento proposto a todos os soropositivos, inclusive se seu nível de infecção for muito baixo.
Também se falará da circuncisão, que protege parcialmente os homens, e dos microbicidas, que poderiam, um dia, proteger as mulheres. Quanto à vacina, nada realmente novo surgiu, mas a pesquisa “continua de forma muito ativa”, segundo o professor Delfraissy.
Segundo um especialista americano, há muito tempo a comunidade de pesquisadores não era “tão otimista”.
Os últimos dados publicados parecem dar razão aos mais otimistas, com um retrocesso da doença entre os jovens de 15 a 24 anos em quase a metade dos 25 países mais afetados. A exceção é a Europa oriental.
A questão dos custos, agravada pela crise financeira e pela inapetência dos doadores, também é importante.
Este ano, faltariam 25 bilhões de dólares para combater a pandemia nos países pobres, e atualmente faltam 11,3 bilhões, segundo análise publicado na revista científica americana Science.
Bill Gates e Bill Clinton estarão entre as personalidades presentes, ao lado de vários ministros da Saúde. (Fonte: G1)