-
Mais lidas do dia
- Ave redescoberta em 2003 já se reproduz na Oceania, dizem cientistas
- Planeta recém-descoberto é 'melhor candidato a abrigar 'vida' fora da Terra
- Primeiro voo espacial privado à ISS pode ocorrer em março
- Sobe para 221 número de municípios atingidos pelas chuvas em Minas Gerais
- Cerca de 70% dos municípios gaúchos decretaram situação de emergência por causa da seca
Anúncios
Principais assuntos
acidente ambiental agropecuário amazônia apreensão arqueologia biodiversidade biotecnologia carbono ciência clima crime cursos e eventos código florestal dengue desenvolvimento sustentável desmatamento energia extinção fauna fenômeno florestal gestão ambiental gripe A gripe aviária internacional legislação licenciamento mudanças climáticas nuclear paleontologia pesquisa poluição protesto protocolo de kyoto qualidade de vida queimadas recursos pesqueiros resíduos tecnologia terremoto transgênicos unidades de conservação velho chico águas índiosListar notícias por data



06 / 09 / 2010Paleontólogo: qualquer museu quer o que temos no Brasil
Em 1936, foi encontrado na região de Santa Maria (RS) um fóssil de um Staurikossaurus pricei, considerado o mais antigo dinossauro já descrito pela ciência até hoje. Porém, esta não é a única região do sul do País que apresenta grande riqueza de material paleontológico. A recente descoberta de um Prestosuchus chiniquensis no município de Dona Francisca atraiu novamente a atenção da mídia internacional para o Estado que, segundo o pesquisador Sérgio Cabreira, ainda será destaque no mundo científico nos próximos anos. “Qualquer museu gostaria de ter o que a gente tem”
“É um local realmente importante”, diz o paleontólogo, “e em relação a este grupo de arcossauros basais, este sítio de Dona Francisca é um dos mais importantes do mundo”. Conforme Cabreira, o local apresenta diversas rochas de períodos diferentes do Triássico. “Tu tens rochas do triássico médio e do triássico superior, onde tu vais encontrar vários tipos diferentes de paleofaunas. E foi durante este período que ocorreu a origem dos mamíferos e também a dos dinossauros. Esta é a importância do Rio Grande do Sul na paleontologia internacional”, explicou.
Os pesquisadores da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) esperam que o Prestosuchus seja deslocado até a sede da instituição, em Canoas, nos próximos meses e acreditam que a região da Quarta Colônia, onde o fóssil foi descoberto, permanecerá em destaque: “o local tem um potencial muito grande. Nos próximos 5 anos há uma tendência da importância dessa região brasileira se acentuar na palentologia mundial, na medida que descobertas feitas nos últimos anos sejam descritas na literatura científica internacional”.
Poucos terrenos triássicos do mundo podem ser comparados à região. Acredita-se que o local abrigava um pequeno lago onde animais paravam para beber água, e já foram encontrados fragmentos de cerca de outros 15 fósseis. “Através do trabalho feito ali, teremos grandes contribuições para a pesquisa da evolução dos vertebrados. E nossos achados são de botar inveja em qualquer museu do mundo”, completou Cabreira.
Fuga de fósseis
Uma das maiores preocupações dos paleontólogos é a venda de fósseis. Segundo a lei brasileira, este tipo de comércio é proibido. Mesmo assim, um site internacional de leilão apresentava, na sexta-feira, 17 fósseis brasileiros, que custavam de U$S 385 até meros U$S 4,99. Peixes, crustáceos e insetos são a maioria. Sérgio Cabreira define a prática como uma lesão à sociedade. “É crime. E para nós é uma perda muito grande. É como se nós continuássemos a sofrer do imperialismo econômico do Século XIX”.
Questionado sobre como os fósseis teriam ido parar na internet, o pesquisador especula que pessoas leigas em certas regiões mais pobres do Brasil tenham adquirido conhecimentos básicos de prospecção de peças. “Em toda a minha carreira eu nunca vi ou observei qualquer indício que isso pudesse vir de dentro do sistema cientifico. Isso acontece porque certas regiões do Brasil são muito pobres e algumas pessoas se acostumaram nas décadas passadas a retirar esses materiais das pedreiras, principalmente no nordeste. E a outra coisa é o comércio mesmo, em lojas que vendem minerais, principalmente no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais”, disse o paleontólogo.
A divulgação de cada descoberta feita através de pesquisa, por menor que seja, é crucial para o fim do comércio de fósseis, pois acaba com o valor das peças no mercado paralelo, tornando-as patrimônio público. “Existem leis que regem e administram a proteção do patrimônio fossilífero, assim como instituições, como o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), que é um órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, que é responsável pela fiscalização da prospecção e coleta de fósseis em todo o Brasil. E eles fazem isso de forma muito controlada. As descobertas pertencem a toda a humanidade, mas em principio, são de todos os brasileiros”, completou.
(Fonte: Portal Terra)