Estrela de nêutrons mais massiva é revelada por astrônomos

A descoberta de uma estrela de nêutrons, a de maior massa já detectada por astrônomos, foi divulgada nesta quarta-feira (27) pela revista científica Nature, após trabalho da equipe do telescópio Green Bank (GBT), da Fundação Nacional para Ciências norte-americana.

Conhecido como PSR J1614-2230, o astro possui duas vezes a massa do Sol. A estrela do Sistema Solar tem massa aproximada de 1,9 nonilhão de quilos – 1,9 seguido por 30 zero. Porém o tamanho do astro é comparável ao de uma cidade, dizem os astrônomos.

Distante 3 mil anos-luz do Sistema Solar, o pulsar possui uma companheira, uma estrela anã branca, que completa uma volta ao redor de PSR J1614-2230 em apenas 9 dias. Já a estrela de nêutrons gira no próprio eixo 317 vezes a cada segundo.

Com a rotação exageradamente rápida, é possível detectar emissões de ondas de rádio vindas daquela região do espaço, trabalho feito pelo Observatório Nacional de Radioastronomia dos Estados Unidos (NRAO, na sigla em inglês), ligado à Fundação.

A presença da companheira anã branca também ajudou os astrônomos, já que o astro causa distorções no tempo e no espaço, atrasando as ondas de rádio e permitindo aos especialistas calcular com exatidão a massa dos dois corpos celestes.

Também conhecido como pulsar, a estrela de nêutrons foi encontrada graças a um efeito previsto pelo físico alemão Albert Einstein na Teoria Geral da Relatividade, divulgada em 1915.

A massa do astro representa um desafio aos cientistas, já que não se conhecia uma estrela de nêutrons com mais de 1,5 massa solar.

Os cientistas também esperavam encontrar indícios de partículas pequenas, menores que átomos, conhecidas como híperons e condensados de kaons. “Os resultados que nós obtivemos descartam essa ideia”, afirma Scott Ramson, do NRAO.

“Cadáveres” siderais – Estrelas de nêutrons surgem quando estrelas gigantes, com milhares de massas solares, morrem, explodindo como supernovas. As camadas do “cadáver sideral” colapsam umas sobre as outras, gerando um objeto de dimensões menores que um planeta, porém extremamente pesado.

Dentro deste corpo celeste, os prótons são prensados contra os elétrons, gerando nêutrons. Pulsares oferecem oportunidade aos astrônomos de estudar o comportamento da matéria em densidades extremas. O caso de PSR J1614-2230 oferece uma nova chance, segundo os especialistas, para compreender um tipo especial de emissão de raios gama no espaço.

Outro destino para supernovas pode ser o buraco negro. São corpos determinados por um raio ao redor de um objeto sem dimensão e com densidade infinita. Isso significa que um objeto precisaria de velocidade sem limites para conseguir escapar ao passar próximo do local, já que a gravidade ali tenderia ao infinito. A superfície de um buraco negro é conhecida como horizonte de eventos.

Toda informação desta região não consegue ser detectada, uma vez que a velocidade da luz é o limite conhecido para qualquer fenômeno ou matéria se deslocar. (Fonte: G1)