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02 / 06 / 2011Homem e mulher das cavernas invertiam papel social, diz estudo
Um estudo sobre os primeiros ancestrais humanos que viviam nas cavernas Sterkfontein e Swartkrans, na África do Sul, mostra que as mulheres invertiam seu papel social e abandonavam o núcleo original para unirem-se a outro, enquanto os homens permaneciam no lugar onde nasciam.
A pesquisa, publicada no último número da revista “Nature”, é sem precedentes porque relata a existência de uma estrutura social pré-histórica.
A prática feminina de deixar o grupo original para acompanhar o de seus companheiros é comum em algumas culturas.
Esse mesmo padrão é verificado entre chimpanzés e bonobos, mas a maioria dos outros primatas, como os gorilas, o comportamento é o oposto. As fêmeas ficam com o grupo no qual nascem e os machos mudavam para outros lugares.
Análise - Os pesquisadores geralmente encontram dificuldades para entender como os primeiros hominídeos usavam a terra e se moviam pelo território somente com a análise morfológica e filogenética.
Liderado pela paleoantropóloga da Universidade do Colorado (EUA) Sandi Copeland, o grupo do estudo atual usou um indicador geoquímico – isótopos de estrôncio que se encontram no esmalte dental – para determinar os movimentos dos hominídeos.
Foram analisadas dentes e restos de oito espécies Australopithecus africanus e mais 11 Paranthropus robustus, grupos que viveram entre 1,7 milhão e 2,4 milhões de anos.
Ambos viveram em savanas arborizadas, provavelmente se alimentando com uma mistura de frutas, grama, sementes e nozes.
Segundo a análise, apenas 10% dos machos se originaram fora de um raio de 30 quilômetros quadrados, contra mais da metade das fêmeas.
Em outras palavras, os homens só se aventuravam, e raramente, a mais de alguns quilômetros de suas cavernas.
O estudo também contesta o senso comum sobre como os primatas deixaram de se locomover em quatro patas e tornaram-se bípedes para percorrer grandes distâncias em busca de abrigo e comida.
Os indícios sugerem que os machos limitaram suas viagens às atividades de caça e coleta. Ou seja, a mudança para a posição ereta pode ter sido influenciada por outras necessidades. (Fonte: Folha.com)