Águas baixam, mas 9 cidades estão em calamidade pública em SC

Aumentou de 8 para 9 na noite deste domingo (11) o número de municípios em estado de calamidade pública em Santa Catarina. De acordo com a Defesa Civil do Estado, Taió se uniu à lista que incluem Agronômica, Aurora, Brusque, Ituporanga, Laurentino, Lontras, Presidente Getúlio e Rio do Sul.

O volume das águas dos três rio que cortam as cidades mais afetadas continuou a baixar durante todo o domingo, mas apenas um deles voltou a ficar abaixo do nível de alerta. Trata-se do rio Itajaí-Açu, nos trechos de Blumenau e Itajaí.

O rio Itajaí Sul, que passa pelo município de Rio do Sul, estava 4 metros acima da cota de alerta, segundo boletim enviado às 20h.

Já o rio Itajaí do Oeste seguia com 2 metros acima da cota nos trechos que cortam Taió e Rio do Oeste.

Nenhum rio, porém, está acima da capacidade máxima. De acordo com a Defesa Civil catarinense, os rios Itajaí Sul e Itajaí do Oeste são represados pelo Itajaí-Açu, e por isso demoram mais a baixar.

Mortes – Em boletim divulgado às 15h deste domingo, a Defesa Civil de Santa Catarina confirmou a terceira morte por causa das fortes chuvas que caíram no estado durante a semana. De acordo com o órgão, um jovem de 19 anos recebeu uma descarga elétrica ao encostar a cabeça em um fio de alta tensão. Por causa das enchentes no município de Laurentino, no momento do acidente ele estava em um barco com o irmão, que foi hospitalizado.

A morte aconteceu às 6h da sexta-feira (9), segundo a Defesa Civil. Além do jovem morto em Laurentino, duas outras vítimas foram confirmadas pelo órgão: um homem de 65 anos morto na quinta-feira (8), em Guabiruba, e outro de 50 anos, que morreu afogado em Itajaí no sábado (10).

No total, foram quase 1 milhão de afetados, 935 mil, em 91 municípios – muitos deles sofreram desabamentos, enchentes e tiveram casas completamente “engolidas” pelas águas.

O número de pessoas desalojadas -obrigadas a deixar suas casas e alojadas por amigos e parentes- e de pessoas desabrigadas -que precisaram sair de casa e atualmente estão em abrigos do governo- subiu para 174 mil. Até as 15h deste domingo, foram contabilizados, além dos três mortos, três feridos e 140 enfermos.

O governo do estado liberou mais R$ 2 milhões do fundo de Defesa Civil para compra de produtos que atendem as necessidades emergenciais da população. Foram liberados R$ 1,8 milhão para aquisição de alimentos, água, colchões, cobertores, roupa de cama, fraldas, material de higiene e de limpeza. Os itens serão encaminhados para as regiões atingidas pela enchente.

No sábado, o governo já havia liberado, como recurso imediato, R$ 10 milhões para compras de emergência e limpeza dos 91 municípios atingidos pelas chuvas nos últimos dias.

Um terceiro homem, porém, morreu após ser atingido por uma descarga elétrica na sexta-feira (9), enquanto remava em um barco em Rio do Sul, um dos seis municípios atualmente em estado de calamidade pública. De acordo com o protocolo da Defesa Civil, essa morte só será confirmada após a identificação do corpo, que ainda não pôde ser feita porque as águas no local ainda estão altas e a área está energizada por causa da descarga elétrica.

Sistema de monitoramento – Depois das enchentes que atingiram a região em 2008, a Defesa Civil catarinense desenhou um sistema de monitoramento para lidar com esse tipo de desastre natural.

A partir das 18h de sábado, o rio Itajaí-Açu já havia baixado para níveis dentro do limite máximo de capacidade. Ele chegou a subir 12 metros e a inundar ruas de Blumenau a uma altura de até 1,5 metro. Foi o caso da Vila Germânica, local onde acontece todos os anos a Oktoberfest. A edição de 2011 da festa está programada para acontecer entre 6 e 23 de outubro.

Também em Blumenau, um deslizamento de terra na quinta-feira (9) atingiu casas que, durante as chuvas de 2008, haviam permanecido intactas. O deslizamento começou por volta das 17h e só foi terminar na madrugada da sexta-feira (9), à 1h.

Depois de três dias de chuvas intensas, porém, os alagamentos começaram a diminuir no município.

Apesar dos estragos, a Defesa Civil de Santa Catarina pediu que a população de outros estados do Brasil evitem enviar doações à região. Por enquanto, não há campanha para receber alimentos, roupas, objetos de higiene e colchões porque a maioria das pessoas está isolada.

A Defesa Civil catarinense afirmou que os resgates estão sendo feitos por helicópteros e que veículos já estão a postos para transportar água e cestas básicas por terra até os locais afetados, assim que as águas baixarem. (Fonte: G1)