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29 / 09 / 2011Diretor da ONU para a Rio+20 diz que não bastam tratados, é preciso agir
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“As novas conferências tentam engajar as pessoas a mudarem suas posturas”, respondeu o diretor executivo da ONU para a Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), Brice Lalonde, ao ser perguntado sobre as principais decisões que deverão ser anunciadas no encontro marcado para o ano que vem no Rio de Janeiro – 20 anos após a Rio-92. “Não precisamos esperar que algo caia do céu em uma conferência. É preciso começar a agir, criar esquemas de ações”, defendeu.
Lalonde, ex-ativista do Greenpeace e ex-ministro do Meio Ambiente da França, destacou-se durante os eventos de Maio de 68, que provocaram intensas transformações políticas e comportamentais na sociedade ocidental na segunda metade do século 20. Em vez das manifestações das ruas, ele agora defende que a internet, o cinema e a cultura sejam os principais caminhos de mobilização para avançar no tema sustentabilidade. “A cultura ajuda a criar consciência”, argumentou.
Durante palestra nesta quarta-feira (28) no 4º Seminário Internacional Sustentável – realizado até dia 29, no Rio –, Lalonde avaliou que atualmente a capacidade de mobilização é muito ampla. “Em 72, na primeira conferência em Estocolmo, a gente nem imaginava que a internet existiria. Na Rio- 92, estava começando. Hoje é realidade. Temos que usar essa ferramenta para engajar as pessoas”, falou. “Sabemos que os principais temas da conferência serão desenvolvimento e ambiente. Mas não basta negociar tratados, é preciso agir para dar exemplos. E acho que esse é um papel principal do Brasil, que é uma liderança”, afirmou.
Lalonde ressaltou que há temas antigos que ainda não foram resolvidos, embora tratados tenham sido assinados. “Há uma ligação entre os temas alimento, água e energia. Em 2030 vamos ter mais de 1 bilhão de pessoas no mundo e essas pessoas precisam comer. Como aumentar a produção de alimentos, de energia, sem usar mais terra, mais água, preservar a biodiversidade e promover justiça social? “, ponderou.
A resposta veio em seguida: “Há algumas ações que podem ser feitas. Falamos de governança, mas a única forma de termos uma governança forte é convencer os cidadãos de cada país a controlarem o comportamento internacional de seus governos. É muito melhor o controle vir do cidadão que do governo”, argumentou.
E diante de uma plateia composta em grande parte por empresários – o evento é promovido pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), no Píer Mauá, no Rio, provocou: “A comunidade empresarial tem grande oportunidade e responsabilidade também. Pode ser um pouco lento, mas será mais fácil para vocês entrarem na economia verde. Adotem ações e incentivem seus fornecedores e clientes. Peçam ajuda ao governo para que possam tomar as melhores decisões. Precisamos de casos de sucesso”, falou.
Para Benjamim, Rio+20 poderá ser a chance de avançar em novos temas, como a biodiversidade. “Precisamos de regimes jurídicos internacionais baseados em biomas”, diz
“Até hoje, desde 1972, nós utilizamos uma única medida para as mudanças climáticas, para a proteção da camada de ozônio e para a biodiversidade. Isso não funciona para a biodiversidade e acho que a Rio+20 será um grande momento para tratar desse assunto”, defendeu o ministro do STJ Antonio Herman Benjamin, um dos organizadores no Judiciário da conferência marcada para o ano que vem.
“Para a proteção da biodiversidade . Não consigo imaginar como vou proteger a biodiversidade de uma forma global, colocando no mesmo pacote a biodiversidade da Tundra, na Rússia, e a biodiversidade do bioma da Amazônia. Me refiro aqui especificamente à Carta da Terra. E acredito que a Rio+20 poderá servir de plataforma para tratar de novas temáticas”, avaliou.
Ao responder uma pergunta encaminhada pela plateia, o ministro afirmou não considerar que o pagamento dos serviços ecológicos seja uma flexibilização da legislação ambiental e defendeu os “instrumentos econômicos de proteção ao meio ambiente” como mecanismos complementares ao cumprimento da lei. “O que não podemos, a pretexto de utilizar instrumentos econômicos, é abrir mão dos instrumentos de comando e controle”, finalizou. (Fonte: Flávia Salme/ Portal iG )