Maldivas: emergentes são tão responsáveis quanto ricos por aquecimento

As negociações das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas são estúpidas e os países emergentes são tão responsáveis pelo aquecimento global quanto as nações ricas, afirmou o presidente das ilhas Maldivas, Mohamed Nasheed, ao jornal Le Monde desta quinta-feira (13).

Em entrevista ao diário francês, Nasheed expôs as frustrações dos pequenos países insulares com a Convenção-quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (UNFCC, na sigla em inglês), integrada por 194 países.

“O processo atual de negociação é estúpido, inútil e interminável. Está baseado neste princípio: duas partes alcançam um acordo, uma terceira aparece sozinha e diz que não concorda, reduzindo a ambição das outras”, criticou Nasheed.

“Na essência, mesmo que alcancemos um acordo, será um acordo sobre nada. Será tão enfraquecido que não terá utilidade”, lamentou, pedindo “uma revisão das organizações internacionais”.

Nasheed fez estes comentários durante visita a Paris.

Ele também criticou o racha nas negociações do UNFCCC sobre quem responsabilizar pelas emissões de carbono provocadas pelo homem, que causam o aquecimento global.

Países pobres dizem que os ricos têm uma “responsabilidade histórica” por terem sido os primeiros a queimar o carvão, o gás e o petróleo que causam o problema.

Os países ricos, por sua vez, afirmam que gigantes emergentes como Brasil, Índia e China, também deveriam carregar o fardo, uma vez que se tornaram eles próprios grandes emissores de carbono.

“A responsabilidade é compartilhada igualmente”, disse Nasheed. “Se os países emergentes tivessem tido a chance de emitir tanto carbono (quanto os ricos), teriam feito o mesmo, talvez mais”, afirmou.

“Se o Ocidente detiver suas emissões e a China, a África do Sul e o Brasil continuarem emitindo no cenário ‘business as usual’ (nr: ou seja, sem redução das emissões), nós ainda morreríamos. As Maldivas desapareceriam”, emendou.

Os esforços para enfrentar as mudanças climáticas foram abalados pelo quase fiasco da Cúpula do Clima de 2009, celebrada em Copenhague (Dinamarca), onde líderes mundiais não conseguiram se entender sobre a questão das metas e a da responsabilidade.

No último minuto, eles fecharam um acordo, denominado Acordo de Copenhague, que estabelece uma abordagem voluntária dos compromissos nacionais, apoiada pela promessa de ajuda financeira para os países pobres.

Entre 28 de novembro e 9 de dezembro, os integrantes do UNFCCC se encontrarão em Durban, na África do Sul, em sua próxima conferência anual. A grande questão será o futuro do Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

Segundo previsões de cientistas, o aquecimento global terá impactos abrangentes no sistema climático mundial. Também fará o nível dos mares aumentar, tanto pela expansão térmica da água quanto pelo derretimento das geleiras. (Fonte: Yahoo!)