Simpósio discute cooperação científica entre Brasil e EUA

Os mais recentes avanços da ciência e o desenvolvimento de novas tecnologias obtidos nos últimos anos por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos serão tema de debates entre cientistas dos dois países durante a FAPESP Week, de 24 a 26 de outubro em Washington, Estados Unidos.

Realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), National Science Foundation (NSF), Ohio State University e Woodrow Wilson International Center for Scholars, o simpósio vai expor ao público norte-americano o que há de mais avançado na produção científica brasileira atual e colocar em discussão alguns dos resultados científicos mais expressivos obtidos pelos dois países, com vistas a incrementar a parceria já significativa existente entre ambos.

Durante a FAPESP Week, que também comemora os 50 anos de atividades da FAPESP, 53 pesquisadores de diferentes instituições de ensino e pesquisa vão expor os resultados de seus trabalhos, entre eles Paulo Nussenzweig, Vanderlei Bagnato, Paulo Artaxo, Marie Anne van Sluys, Glaucia Souza, Fernando Limongi, Hugo Armelin, Mayana Zatz e Walter Colli, da Universidade de São Paulo (USP); Hugo Fragnito, Carlos Lenz Cesar, Carlos Joly, Paulo Arruda, Licio Veloso e Fernando F. Costa, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Tullo Vigevani, da Universidade Estadual Paulista (Unesp); Gilberto Câmara, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); e Jorge Kalil, do Instituto Butantan.

Os brasileiros debaterão com renomados pesquisadores de instituições norte-americanas, entre eles Erich Grotewold, Wondwossen Gebreyes e Daniel James, da Ohio State University; Michal Lipson, da Cornell University; Thomas Lovejoy, da George Mason University; Ana Carnaval, do The City College of New York; John Wenzel, do Carnegie Museum of Natural History; Tulia G. Falleti, da University of Pennsylvania; Elizabeth Stein, da University of New Orleans; Scott Desposato, da University of California, San Diego; Jane Buikstra, da Arizona State University; e Nikolaos Vasilakis, da University of Texas.

Entre os temas debatidos estarão aqueles localizados em áreas de fronteira da ciência, como bioenergia, genômica, biodiversidade, mudanças climáticas globais, óptica e fotônica, câncer, células-tronco, distúrbios genéticos, doenças tropicais e doenças infecciosas que atingem pessoas em todo o mundo, vacinas e medicamentos, além de ciência política e estudos sobre metrópoles.

“A inclusão de um simpósio do porte da FAPESP Week entre os eventos comemorativos do cinquentenário da Fundação é uma maneira construtiva de reconhecer a importância e de aprofundar a interação entre cientistas num mundo globalizado”, disse Celso Lafer, presidente da FAPESP.

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, destaca que a colaboração internacional proposta pelo encontro é parte importante da estratégia da Fundação.

“A FAPESP tem importantes acordos com agências como a NSF, nos Estados Unidos, Research Councils, no Reino Unido, DFG, na Alemanha, CNRS, na França, pelos quais são apoiados importantes projetos de pesquisa colaborativa”, disse.

A FAPESP Week ocorre em um momento em que a pesquisa brasileira alcança maior projeção, com índices que denotam sua maior participação no sistema mundial de ciência e tecnologia.

A maior produção brasileira, aliada a maior visibilidade alcançada por essas pesquisas, inspirou a FAPESP a lançar um Código de Boas Práticas Científicas, seguindo a tendência, verificada em vários países nos últimos dez anos, de publicar regulamentos, códigos de conduta e políticas institucionais para o tratamento de bons procedimentos nessa atividade.

Desse modo, busca-se não apenas dar visibilidade internacional à produção local, mas garantir a excelência da pesquisa científica e tecnológica realizada no Estado de São Paulo.

Temas em debate – No primeiro dia da FAPESP Week será apresentado na sessão sobre Mudanças Climáticas um estudo sobre interações entre a sociedade e a natureza na região.

O diretor do Inpe, Gilberto Câmara, em sua palestra “Land change and human-environment interactions in Amazonia: integrative modelling approaches”, mostrará métodos para levantamento de informações para avaliar e prever mudanças resultantes de ações humanas na Amazônia e formas de organização que contribuam para evitar o desmatamento e emissões de gases utilizando sistemas computacionais que estão em desenvolvimento no Inpe.

No mesmo painel, Reynaldo Victoria falará sobre resultados de projetos apoiados no Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), que coordena.

As principais metas do programa são o aumento de conhecimento sobre o clima para apoiar decisões políticas relacionadas às mudanças e estabelecer estratégias de mitigação e de adaptação a elas.

Com investimentos de US$ 30 milhões, o PFPMCG apoia o processamento de um grande volume de informações produzidas no país para criação do Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global, capaz de gerar cenários climáticos futuros e necessário para cumprir as metas de monitoramento do clima assumidas internacionalmente pelo Brasil.

Um supercomputador, instalado no Inpe, foi adquirido pela FAPESP em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para fazer esse trabalho.

Na sessão que inclui o tema Biodiversidade e Amazônia, o coordenador do projeto BIOTA-FAPESP, Carlos Joly, vai expor os dados da primeira fase do programa (1999-2009), entre eles 27 mapas da vegetação, que serviram, por exemplo, de base para a atuação do Ministério Público Estadual em situações de degradação ambiental no Estado de São Paulo, em seis núcleos regionais no Estado.

O BIOTA-FAPESP, que se estende por mais dez anos (2010-2020), compreende pesquisas para formação de pesquisadores, bioprospecção e análise das origens da diversidade e da distribuição da flora e da fauna no Estado de São Paulo, voltadas para políticas públicas com impacto na conservação e uso sustentável da biodiversidade.

No segundo dia da FAPESP Week, a pesquisadora do Instituto de Química da USP Glaucia Souza fará uma apresentação sobre o Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), com investimento previsto de até US$ 130 milhões para integrar pesquisas básicas e aplicadas sobre cana-de-açúcar e outros materiais que podem ser usados como fontes de biocombustíveis.

Um dos 59 projetos do BIOEN desenvolveu em laboratório um bioquerosene para substituir o querosene derivado de petróleo utilizado pela aviação comercial.

O biocombustível pode ser produzido em diferentes regiões do Brasil, com menor custo de distribuição e sem custo com royalties, pois, além da matéria-prima, a concepção, o projeto e a construção dos reatores e separadores são nacionais. A pesquisa apresenta desenvolvimento e inovação nas áreas de engenharia das reações químicas e das separações, garantindo pureza ao produto e sua possibilidade de uso em altas altitudes. (Fonte: Agência Fapesp)