Brasileiros calculam raio de planeta-anão ‘gêmeo’ de Plutão

Uma equipe internacional de astrônomos, incluindo vários brasileiros, conseguiu calcular com precisão o raio do planeta-anão Éris, que gira em torno do Sol a uma distância duas vezes maior que a do astro a Plutão.

A pesquisa mostrou que o raio dos dois planetas-anões é muito parecido e se referiu aos planetas como “gêmeos”.

O raio de Éris é de 1.163 km, com margem de erro de 6 km para mais ou para menos. O de Plutão é estimado entre 1.150 km e 1.200 km.

O cálculo foi feito a partir de um eclipse ocorrido em 6 de novembro de 2010, quando Éris passou na frente de uma estrela, do ponto de vista de quem está na Terra.

“É muito raro ele passar na frente de uma estrela, saber disso antes é mais difícil ainda”, diz Roberto Martins, pesquisador titular do Observatório Nacional, que participou do grupo.

Essa informação foi obtida com dados dos telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), com base no Chile.

Uma vez que se sabia que haveria esse eclipse, vários observatórios se mobilizaram, mas apenas três telescópios no Chile conseguiram observar o fenômeno – outro, na Argentina, pôde ver o céu, mas não tinha ângulo para ver Éris. No Brasil, as nuvens atrapalharam o trabalho dos astrônomos.

Mais cálculos – Já se conhecia a velocidade com que o planeta-anão – visto da Terra – se desloca. A partir disso, eles observaram o tempo que a luz da estrela levava para desaparecer e reaparecer. Com esse dado, foi possível deduzir o raio do planeta anão com precisão.

Martins conta que o cálculo é mais preciso do que apontou o raio de Plutão. “Plutão tem atmosfera, ela refrata a luz”, explica o astrônomo. Por conta disso, o eclipse ocorre de maneira gradual; no caso de Éris, ele é brusco, e a conta fica mais exata.

O estudo, no entanto, admite a possibilidade de que Éris tenha uma atmosfera que se congelou porque a rota do planeta anão é elíptica e a medição ocorreu quando ele estava muito longe do Sol – a 95,7 unidades astronômicas (1 UA representa a distância entre a Terra e o Sol, ou 150 milhões de km). Talvez, dizem os pesquisadores, uma atmosfera gasosa surja quando ele atingir o momento em que ele fica mais perto do Sol, a 37,8 UA.

Saber o raio é um primeiro passo que gera uma série de conhecimentos sobre o planeta anão. Como Éris tem um satélite natural, os astrônomos já sabiam a sua massa. “Sabendo a massa e o volume, sabemos a densidade. Sabendo a densidade, podemos saber a composição química”, raciocina Martins.

Também é possível calcular a cor do corpo celeste, a partir da quantidade de luz refletida. “É muito, muito branco”, resume o pesquisador do Observatório Nacional.

O trabalho publicado pela revista científica Nature foi liderado pelo astrônomo francês Bruno Sicardy, do Observatório de Paris. (Fonte: Tadeu Meniconi/ G1)