Mortes por bactéria que fez 4 vítimas no DF são as primeiras, diz Saúde

As mortes causadas pela bactéria Streptococcus pyogenes, que fez pelo menos quatro vítimas no Distrito Federal entre agosto e outubro deste ano, foram as únicas registradas no país, segundo o Ministério da Saúde.

Segundo a pasta, a infecção capaz de levar à morte é um comportamento atípico do micro-organismo, facilmente tratável e geralmente encontrado em cerca de 15% da população.

O ministério informou que, por causa dessas características e da frequência com que ocorre o contágio, não monitora as contaminações pela bactéria. Entre as doenças causadas pela Streptococcus pyogenes estão faringite, amigdalite e infecções de pele. Os sintomas mais comuns são febre e dor de garganta.

Atualmente, a Secretaria de Saúde do DF aguarda o resultado de exames para entender o comportamento da bactéria e investigar se as três primeiras vítimas, aparentemente saudáveis, estariam sendo acometidas por outras doenças. No quarto caso confirmado, o garoto de 6 anos recebeu diagnóstico positivo para catapora, que pode ter enfraquecido seu sistema imunológico.

De acordo com a pasta, as análises já negaram contágio por H1N1, vírus que provocou pandemia de gripe e causou mortes em 2009. Agora, ela disse estar avaliando se as primeiras vítimas poderiam estar infectadas com hantavirose. A secretaria não soube informar quando saem os resultados dos testes.

Nos primeiros exames pedidos pela pasta, não foi identificada anormalidade nas colônias de bactérias encontradas nas vítimas. Os testes apontaram que elas não são nem uma mutação nem mais resistentes a antibióticos. Apesar de descartar o risco de surto, a secretaria disse ter emitido alerta em decorrência da rápida evolução dos casos registrados para óbito.

Consultada pelo G1, a infectologista Celeste Silveira explicou que a não notificação dos casos ao Ministério da Saúde acontece porque a evolução da doença costuma ser ‘benigna’. “O que chamou a atenção [nestes casos] foram os óbitos, que são raros. […] Por isso que é estranho, que é diferente, porque essa não é a evolução costumeira, apesar de todos os pacientes terem recebido o tratamento adequado.”

A médica e a microbiologista Fabíola Castro disseram que os sintomas da infecção pela bactéria podem ser confundidos pela população com os de outras doenças, como pneumonia e dengue. Para evitá-la, elas recomendaram cuidados básicos de higienização, como lavar as mãos. A Secretaria de Saúde informou ao G1 que tem considerado suspeitos todos os casos em que o paciente apresenta febre, falta de ar e outro sintoma de gripe.

Suspeita – Segundo o Ministério da Saúde, testes também apontaram a presença da bactéria no corpo de uma pessoa que morreu em agosto deste ano em São Carlos (SP). A investigação clínica começou depois que dois familiares vieram a óbito em um curto espaço de tempo.

Apesar da confirmação de Streptococcus pyogenes em uma das vítimas, o ministério descartou haver surto. O órgão também disse que, neste caso, não é possível associar a causa da morte à presença do microorganismo, já que ele é encontrado em até 15% da população.

Superbactéria – A microbiologista Fabíola Castro afirmou que é inadequado considerar a Streptococcus pyogenes uma superbactéria. “É a nomenclatura que a gente tem visto usar. É o que se diz para as que são difíceis de serem tratadas. Mas essa morre facilmente com antibióticos, inclusive com penicilina.”

O micro-organismo causou a morte de pelo menos quatro pessoas neste ano no DF. A primeira foi uma menina de 10 anos, moradora do Lago Sul. Depois, uma mulher de 38 anos que morava no Guará. A terceira morte é de outra garota de 10 anos e a quarta é de um garoto de 6 anos, internado no Hospital Regional do Guará com suspeita de catapora.

De acordo com a Secretaria de Saúde, os casos são isolados e não configuram surto. À exceção da última morte confirmada, todas as vítimas aparentavam estar saudáveis. A pasta investiga ainda o óbito de um pastor de 54 anos, levado ao Hospital Regional de Taguatinga após cortar o dedo durante uma pescaria. (Fonte: G1)