Estudo da Unesp Rio Claro aponta áreas com maior impacto ambiental

Um estudo realizado pelo Departamento de Ecologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro (SP) em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) identificou as regiões do estado de São Paulo onde as pessoas terão mais impacto com o aquecimento global nas próximas décadas.

Para avaliar essas possíveis consequências, os pesquisadores não se limitaram aos dados climáticos como temperatura e quantidade de chuvas, mas cruzaram essas informações com outros dados, como a concentração da população e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que combina educação, saúde e renda. O resultado foi o índice de vulnerabilidade sócio-climática.

Ribeirão Preto e Campinas – Em relação somente aos aspectos climáticos, a situação do estado não é tão preocupante, mas quando se leva em conta também os dados sociais, os impactos podem aumentar. O estudo apontou que a vulnerabilidade sócio-climática é maior na região de Campinas (SP) e em Ribeirão Preto (SP).

Segundo os pesquisadores, Campinas está nesta situação por causa da grande concentração populacional, o que potencializa as consequências de uma enchente, por exemplo. Já Ribeirão Preto ganhou essa classificação porque, além de populosa, já estão previstas temperaturas mais altas para essa região que, assim como Campinas, deve sofrer impactos climáticos.

O pesquisador do departamento de Ecologia da Unesp Rio Claro, David Lapola, explicou que as duas regiões podem sofrer com estiagens. “Possivelmente, aumento de período de secas, com secas mais severas, verões com chuvas mais intensas, ou seja, episódios extremos”, disse.

Região Central – Já na Região Central do estado, as consequências devem ser menos intensas, segundo o pesquisador. “Isso não quer dizer que nada vai acontecer nessa região, pode acontecer sim. Mas são áreas que, para o tomador de decisão, ele tem que focar onde vai colocar os esforços e seria, primordialmente, em Campinas e Ribeirão Preto”, explicou.

Ações imediatas – Segundo Lapola, as mudanças climáticas podem ocorrer ao longo das próximas décadas, mas as ações precisam ser imediatas. “A ideia do estudo é já começar a se pensar no tipo de política pública para ir adaptando essa população e nos sentirmos mais preparados para lidar com essas mudanças climáticas”, alertou o pesquisador. (Fonte: G1)