Cientistas querem pica-pau ’sumido’ por 80 anos em lista de ameaçados

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Tocantins (UFT) apresentou um estudo a um órgão do Ministério do Meio Ambiente para pedir a inclusão de uma espécie de pica-pau brasileiro, nativo do Cerrado, na lista de animais ameaçados de extinção. A pesquisa foi apresentada em maio em uma reunião do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela elaboração da lista brasileira.

O pica-pau-do-Parnaíba, cujo nome científico é Celeus obrieni, foi considerado desaparecido por 80 anos, afirma o professor da UFT Renato Torres Pinheiro, um dos responsáveis pela pesquisa. O último exemplar conhecido da espécie havia sido coletado em 1926 em uma cidade do Piauí. Foi só em 2006 que o pica-pau voltou a ser visto, em Goiatins, município do Tocantins.

O animal, que chega a medir 26 centímetros de comprimento (no caso das fêmeas), tem pesos que variam de aproximadamente 96 gramas (para os machos) a 109 gramas (para as fêmeas), diz o pesquisador. O bico é claro, com tons de branco, e a cabeça é marrom-avermelhada, com o pescoço amarelo-ocre e a garganta e o peito negros. “A ave depende de um tipo muito peculiar de ambiente, de Cerrado florestal com taboca [um tipo de bambu], e tem uma dieta especializada em formigas”, afirma o cientista.

Por necessitar de um ambiente específico (o Cerrado florestal) e de uma área relativamente grande para encontrar abrigo, alimento e se reproduzir (250 hectares, diz o pesquisador), a ave perde habitat e se torna mais rara com a destruição da vegetação, aponta o estudo. “A espécie não sofre pressão da caça. No entanto, o desmatamento faz com que o ambiente em que ela vive seja destruído ou fragmentado, o que acaba criando condições cada vez piores para o pica-pau sobreviver”, reflete Pinheiro.

Poucos pica-paus – Em uma projeção conservadora, os pesquisadores avaliam que cerca de 20 mil casais de pica-paus deste tipo existam em quatro estados – Goiás, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão. “Mas temos certeza que o número é menor. A quantidade de indivíduos maduros não deve chegar a 10 mil”, analisa o cientista.

As informações sobre a reprodução da espécie são poucas, mas se sabe que ocorre entre setembro e dezembro, diz Pinheiro. “Dentre os fatores que contribuem para o seu desaparecimento podemos destacar o desmatamento e as queimadas”, conclui.

A espécie já consta como ameaçada na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), mas não está na relação de animais em risco mantida pelo governo federal.

O ICMBio confirmou que a espécie não está na listagem atual, mas “pode vir a constar numa lista futura”, disse o órgão, em nota oficial. “A espécie está em processo de avaliação de seu estado de conservação”, ressaltou.

O ICMBio afirma que a avaliação sobre a espécie é coletiva e envolve “vários pesquisadores e instituições (universidades, centros de pesquisa)”. “Na semana que vem, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação das Aves do Cerrado (Cemave), junto com parceiros, vai iniciar a elaboração do Plano de Ação Nacional das Aves do Cerrado, entre os quais se encontra essa espécie”, completou o órgão. (Fonte: G1)

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