Em RO, Rio Madeira sobe 70 cm em 7 dias; 1.600 famílias são removidas

O nível do Rio Madeira em Rondônia registrou um aumento de 70 centímetros em oito dias. A cota neste sábado (22) às 7h era de 18,15 e alcançou, às 11h, 18,22 metros, segundo informou o tenente do Corpo de Bombeiros José Constantino, que integra a Sala de Gerenciamento de Crise do estado. A cheia ultrapassou a marca histórica de 1997, quando o rio chegou a 17,52. A Defesa Civil calcula que cada grupo familiar possua cinco membros. Com base nesta estimativa, as autoridades acreditam que 8 mil pessoas estejam em casas de parentes ou nos abrigos públicos.

“Foi a maior elevação no nível do rio em termos de hora e dias. A situação de gravidade permanece em grau 2”, disse o tenente. O comandante-geral do Corpo de Bombeiros e coordenador da Defesa Civil Estadual, Lioberto Ubirajara Caetano, descartou a decretação de calamidade pública neste momento. José Constantino confirmou haver cerca de 1.600 famílias fora de suas casas em Porto Velho e nos 14 distritos da capital entre desabrigados e desalojados.
Há muitas famílias que não entram na estatística oficial da Defesa Civil. É o caso da aposentada Dora Lice, de 64 anos. “Tenho filhos, graças a Deus. Eles vão me amparar”, contou a mulher. O ajudante de pedreiro Romualdo Félix, de 56 anos, acordou com a cozinha desmoronando. “Nunca passamos por isso em 40 anos que moramos aqui”, diz o homem, que tem seis filhos e reside no Bairro Triângulo.

Na madrugada de sábado desembarcaram em Porto Velho 30 bombeiros e 20 policiais militares da Força Nacional, por meio de um pedido em caráter de emergencial pelo governo do estado, para auxiliar na remoção de famílias e distribuir suprimentos, remédios e agasalhos nos 12 abrigos públicos (quatro escolas e sete paróquias). Os policiais também serão destacados para auxiliar a Polícia Rodoviária Federal no controle de tráfego nas rodovias com pontos interditados (a BR-364, sentido Acre, a BR-319, em direção a Humaitá (AM), e a BR-425, que dá acesso a Guajará-Mirim, fronteira com a Bolívia).

No Bairro da Balsa, distante 100 metros da balsa que dá acesso ao município de Humaitá, a Paróquia Nossa Senhora de Aparecida foi evacuada na manhã desta sábado e 30 famílias que estavam abrigadas precisaram ser realocadas em abrigos alternativos. Os postos revendedores de combustíveis confirmam a falta de gasolina, álcool e diesel S-10. “Os caminhões distribuidores não chegam às bases. O acesso está inundado, sem condições de tráfego até mesmo para carretas, disse o gerente de posto Jorge Daniel. (Fonte: G1)