Cientista dos EUA criam modelo capaz de prever efeitos de furacões em praias

Cientistas da Universidade da Flórida (UFA) projetaram um modelo em computador que pode servir para prever efeitos de furacões nas praias e compreender o aumento do nível do mar, o que “pode gerar uma economia de milhões de dólares”.

O modelo desenvolvido pelos cientistas da UFA, localizada em Gainesville, “pode ajudar a melhorar a compreensão a longo prazo dos efeitos de tempestades tropicais de categoria maior, o aumento do nível do mar e a restauração das praias”, assinalou a instituição acadêmica em comunicado.

Os cientistas empregaram uma base de dados sobre a erosão produzida na praia de Santa Rosa Island, na zona do Panhandle, no litoral noroeste da Flórida, após o impacto de tempestades e furacões.

O modelo, destacou a UFA, permitirá “prever as mudanças no habitat das praias nos próximos 90 anos” e pode ser de grande ajuda para os especialistas e responsáveis da “regeneração” do litoral e praias erosionadas pelas tempestades.

O estado da Flórida destinou US$ 37 milhões para a restauração de suas praias neste ano fiscal, que termina em 30 de junho, e atribuíram quase US$ 105 milhões nos últimos cinco anos para este fim, segundo o Departamento de Proteção do Meio Ambiente.

“Transferir grandes quantidades de areia às praias é custoso”, assinalou Rafael Muñoz-Carpena, professor da UFA de Engenharia Biológica e Agrícola, que destacou a importância de “preservar as praias pelos benefícios que isto tem para os seres humanos e a ecologia”.

Por isso, este modelo em computador permite descobrir “quanto tempo uma praia pode durar sob condições diferentes e variáveis”, apontou Greg Kiker, professor da mesma matéria e coautor do estudo. “Todo mundo sabe que a regeneração de uma praia não dura para sempre. Sofre a erosão”, disse.

Este modelo permitirá aos responsáveis no manejo e controle do estado do litoral avaliar a relação “despesa x benefícios” na restauração das praias e seu efeito sobre “os espécies vulneráveis, zonas residenciais adjacentes e instalações militares”, acrescentou Muñoz-Carpena.

Os pesquisadores da UFA utilizaram o arquivo de dados da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) de 69 furacões nos passados 154 anos, na zona de Santa Rosa Island e em um raio de cem quilômetros.

As simulações por computador de 4 mil tempestades sugerem que, “sem restauração” do litoral, uma tempestade tropical ou um furacão, o aumento do nível do mar reduziria as praias de Santa Rosa em um 97% para 2100.

“Mas esta perda pode ser reduzida em 60%” com a restauração da areia perdida e a manutenção de um nível determinado desta.

Os autores do estudo esclareceram que não se trata de “pedir aos responsáveis do controle de costas a que transfiram areia nas praias, que geralmente procede do litoral, com uma frequência determinada”. (Fonte: UOL)