Nível do Sistema Cantareira volta a cair mesmo com chuva

O nível do Sistema Cantareira voltou a cair, de 16,6% no sábado (1º) para 16,5% neste domingo (2), mesmo com a chuva que atingiu regiões de São Paulo na noite de sábado e madrugada desde domingo, informou a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Devido as pancadas de chuva localizadas, as regiões da capital foram colocadas em estado de atenção para alagamentos pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE).

O índice, que estava em 16,4% na sexta-feira (28), chegou a 16,6% no sábado, a primeira elevação após várias quedas sucessivas. A chuva acumulada foi de 39,3 mm no sistema, mais da metade da pluviometria acumulada em todo o fevereiro.

A capacidade dos reservatórios ficou abaixo dos 17% pela primeira vez na história durante esta semana. No dia 18 de fevereiro, quando o índice era de 18,4%, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, descartou a necessidade de racionamento de água na capital paulista. Sete dias depois e com 1,5% a menos de capacidade nos reservatórios, a Sabesp continua descartando o racionamento.

Os reservatórios do Cantareira enfrentam a maior crise hídrica da história por causa do calor recorde e do baixo índice de chuva sobre o sistema. Apesar da pequena melhora no nível das represas neste sábado, a Sabesp reafirma a necessidade de economia de água. O consumo já caiu 3 mil litros por segundo na última semana, segundo dados da companhia.

Ainda segundo a Sabesp, uma parte da população abastecida pelo Sistema Cantareira já está recebendo água de outros mananciais para diminuir o prejuízo.

O nível crítico está atrelado às faltas de chuva em janeiro, que normalmente chegam a 300 milímetros, mas desta vez ficaram em 87,7 milímetros, e também em fevereiro. Em 25 dias, choveu apenas 60,7 milímetros, quando a média é de 202,6 mm. “Dificilmente chegaremos perto da média faltando quatro dias para o fim do mês”, comentou a assessoria de imprensa da Sabesp.

Sistema – O sistema Cantareira é o maior do complexo metropolitano de São Paulo. Ele abastece as zonas Norte, Centro e partes das Zonas Leste e Oeste da capital, Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba, São Caetano do Sul e parte de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André.

Essa é a marca mais baixa entre todos os mananciais paulistas. O Guarapiranga, segundo maior reservatório, que abastece as zonas Sul e Sudoeste da capial, tinha 88,1%.

O sistema Alto Tietê (que abastece parte da Zona Leste e a região de Mogi das Cruzes) tinha volume armazenado de 39,7%. O Alto Cotia, que abastece Cotia, Embu, Itapecerica da Serra, Embu-Guaçu e Vargem Grande, tinha de 55,8%. O Rio Grande, que abastece Diadema, São Bernardo do Campo e parte de Santo André tinha volume de 93,7%. O Rio Claro, que abastece Sopopemba, na Zona Leste, e parte dos municípios de Ribeirão Pires, Mauá e Santo André, tinha volume de de 96,9%.

Relatório – Relatório divulgado por um grupo técnico criado para monitorar o nível de água no Sistema Cantareira recomenda à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) um plano emergencial para utilizar o chamado “volume morto” dos reservatórios do Jacareí e Atibainha, caso os níveis de água continuem baixos e as chuvas sigam escassas até agosto.

O “volume morto” é o nome dado a um o reservatório de 400 milhões de metros cúbicos no sistema Cantareira que nunca foi utilizado porque o sistema de bombeamento não chegava a essa profundidade. No fim de semana, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que irá comprar bombas para poder tirar mais água, caso a situação da represa fique mais crítica.

Desconto – No começo de fevereiro, a Sabesp anunciou o desconto de 30% na conta de quem economizar água. O objetivo é incentivar a queda no consumo por causa da falta de chuva, que reduziu o nível das represas do sistema Cantareira. O desconto vale apenas para os consumidores abastecidos por essas represas.

A informação sobre o sistema que abastece a residência está disponível na conta de água. “Nos demais, mantém a tarifa normal, porque choveu na média e os sistemas se recompuseram”, disse a presidente da Sabesp, Dilma Pena, em entrevista coletiva. “Vamos ter um impacto no faturamento que ainda não mensuramos. E faremos a gestão disso.”

O desconto será de fevereiro a setembro, exceto para Santana do Parnaíba, onde a política vai de março a setembro “por uma questão específica do sistema”, segundo ela. A presidente da Sabesp afastou a possibilidade de racionamento. “Não estamos pensando em racionamento. Ele não está no nosso radar”, afirmou. Segundo ela, o desconto deve vir já na próxima conta de água recebida pelos consumidores.

A estratégia é similar à usada em 2004, quando já houve desconto na conta para quem economizou água. Desta vez, no entanto, o consumidor pode ter um desconto ainda maior. Quem diminuir o consumo em cerca de 20% terá 30% de desconto na conta.

A conta do cliente abastecido pelo Sistema Cantareira terá um informe com a meta de redução a ser atingida, segundo a Sabesp. Terá direito ao bônus o cliente que reduzir em 20% o consumo médio de um período de 12 meses.

Saiba como economizar – Para economizar, a Sabesp recomenda que o consumidor adote algumas atitudes diárias.

Veja abaixo:

– tome banhos rápidos e feche a torneira ao ensaboar;
– lave a louça de uma vez e feche a torneira ao ensaboar;
– não lave a calçada e o quintal, use a vassoura;
– ao lavar o carro, use um balde;
– acumule roupas para lavar na máquina de uma vez só;
– deixe a torneira fechada ao escovar os dentes e fazer barba.

Outro fator que colabora para o desperdício de água são os vazamentos. A Sabesp disponibiliza um curso gratuito que ensina práticas simples para identificar possíveis problemas em instalações hidráulicas. O programa é aberto ao público em geral e é ministrado nos períodos da manhã e tarde.

Os participantes recebem uma cartilha explicativa ilustrada e um certificado de conclusão. Quem se interessar deve procurar a regional da Sabesp mais próxima de sua residência. Visite o site da Sabesp para conferir os endereços. (Fonte: G1)