EUA preveem 50% de chances de ocorrência de “El Niño” em 2014

A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) previu nesta quinta-feira 50% de possibilidades que neste ano aconteça o fenômeno de “El Niño”, uma corrente de águas quentes no Pacífico que altera o clima de grandes áreas do planeta.

Segundo um boletim divulgado na quarta-feira (6) pela NOAA, foi detectado um aumento da temperatura do mar no centro do oceano Pacífico e vários “modelos dinâmicos” de previsão antecipam que nos próximos meses “El Niño” poderia desenvolver-se.

“El Niño” é uma corrente de água quente que percorre o Pacífico americano e costuma provocar, segundo os especialistas, uma temporada de maior instabilidade meteorológica, com chuvas mais intensas na América do Sul e um menor número de furacões no Atlântico.

“A previsão em consenso é que há 50% de probabilidade aproximadamente de desenvolvimento de ‘El Niño’ durante o verão (junho-setembro) ou outono (setembro-dezembro)”, diz o comunicado do centro meteorológico com sede em Miami.

No entanto, e embora todos os modelos prevejam um aquecimento no Pacífico tropical, existe “uma incerteza considerável” em relação ao fenômeno.

Segundo as previsões, se os ventos do oeste continuam combinados no oeste do Pacífico equatorial, “o desenvolvimento de ‘El Niño’ poderia ser mais provável”.

Os meteorologistas da NOAA explicam, no entanto, que qualquer previsão de longo prazo deve ser vista com precaução, especialmente pela “tendência geral de condições mais frescas durante a década passada”.

O fenômeno de “El Niño” se caracteriza por um aquecimento anormal da corrente Humboldt, ou Corrente do Peru, o que provoca chuvas mais intensas e períodos muito úmidos em geral na América do Sul.

O aumento das temperaturas nas águas do oceano Pacífico provoca um aquecimento da atmosfera e, como consequência disso, a formação de tempestades e instabilidade meteorológica, segundo os especialistas.

“El Niño” também costuma produzir um menor número de furacões no Atlântico, embora a temporada de 2013 já tenha sido estranhamente baixa, com apenas dois furacões de categoria menor.

Esta baixa incidência no número de furacões no 2013 suscitou o interesse dos meteorologistas, que em novembro passado qualificaram este fato como um “enigma” e se perguntaram se isso antecipava “o final de um ciclo de furacões intensos”.

O nome “El Niño” foi cunhado há um século pelos pescadores peruanos do porto nortista de Paita, que observaram que aparecia na época do Natal, motivo pelo qual a chamaram de corrente do “Niño Cristo” (“Menino Jesus”). (Fonte: UOL)