Comunidades ribeirinhas continuam sendo atingidas pela cheia do Madeira

As comunidades ribeirinhas de Porto Velho continuam sofrendo os impactos com a cheia histórica do Rio Madeira em Rondônia. Milhares de pessoas tiveram que sair de casa, expulsas pelas águas do rio. A Defesa Civil esteve em Calama e Demarcação, distritos localizados no Baixo Madeira, a enchente faz com que igarapés e lagos se misturem ao rio, o que torna impossível calcular o prejuízo ambiental causado. Casas estão debaixo d’água e animais ilhados. Nesta quinta-feira (6), a cota do rio já atingiu 18,87 metros, já ultrapassando em mais de um metro o registro de 1997, de 17,52 metros, quando ocorreu a maior cheia do Madeira. Mais de 2 mil famílias já saíram de casa por causa da enchente.

Calama é o maior distrito da região do Baixo Madeira e um dos mais distantes. Saindo de Porto Velho, são oito horas de barco. Em linha reta seriam 120 quilômetros. O distrito fica num lugar bem alto, mas mesmo assim não escapou dos impactos do Madeira. A água invadiu casas próximas ao rio e a lagos, que também transbordaram. “Nós temos aqui 367 famílias no momento desalojadas, que saíram das suas casas. Nós estamos atendendo, na medida do possível, com cestas, com água”, diz Priscila Pantoja, administradora de Calama.

Na comunidade, cemitério está completamente alagado. As crianças passam de canoa em meio as sepulturas. Moradores dizem que a água que sai de poços artesianos está contaminada. Eles já sofrem as consequências de conviver neste ambiente. “Tudo contaminada, o cheiro muito forte, coceira demais nas pernas. A gente não pode ir na água que é preciso passar álcool nas pernas”, afirma a moradora Sinalúcia Gomes da Silva.

Parte das famílias foi abrigada na escola que ainda está em área seca. Gente que está vivendo de doações. Pelo menos três barcos ficam ancorados ao longo do Baixo Madeira. Eles funcionam como bases. Recebem produtos que vêm de outras embarcações e distribuem às famílias necessitadas. São cestas básicas, água mineral e até mosquiteiros.

A aposentada Auta Castro Rosas, de 72 anos, sempre morou na região ribeirinha. Ela conta que nunca havia sido expulsa de casa pelo madeira. Agora está na casa da filha. “Aguentei quando a água chegou na porta. Aí eu falei para o meu filho que morava comigo: ‘Eu vou me mudar porque eu não aguento mais ficar em cima d’água'”, lembra a aposentada.

Em Demarcação, distrito próximo de Calama, dezenas de famílias tiveram que desocupar as casas. A Defesa Civil está providenciando até barracas como para alojar quem ainda não conseguiu abrigo. “Deve aumentar um pouquinho esse número ainda. Mas a ideia agora é a fase assistencial mesmo. Manter a pessoa abrigada, em condição segura”, garante do coronel Lioberto Caetano, coordenador da Defesa Civil Estadual. (Fonte: G1)