Brasil e Argentina pretendem criar santuário de baleias no Atlântico Sul

Integrantes da Comissão Internacional da Baleia (CIB) e representantes de governos de 12 países africanos e caribenhos, além do Brasil e dos parceiros latinos que integram o Grupo de Buenos Aires e de tradicionais aliados na conservação da espécie, como Austrália, Reino Unido e México, participam do Seminário Internacional sobre o Santuário de Baleias do Atlântico Sul.

O evento, que ocorrerá no Centro de Visitantes do Instituto Baleia Jubarte, na Praia do Forte, em Salvador, de 19 a 21 de março, é organizado pelos Ministérios do Meio Ambiente (MMA) e das Relações Exteriores (MRE), e será marcado pela defesa da proposta de criação do santuário de proteção destes animais, apresentada pelos governos do Brasil e da Argentina, e que une representantes de países latino-americanos, africanos e caribenhos em defesa da conservação marinha.

Participam da abertura do evento o secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, Roberto Cavalcanti, o embaixador Marcus Vinicius Pinta Gama e a presidente do Instituto Baleia Jubarte, Márcia Engel, além de pesquisadores de vários países interessados no tema. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e o governador da Bahia, Jaques Wagner, estarão no encerramento da reunião, na sexta-feira.

Águas protegidas – O seminário, patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, terá a presença, também, de especialistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). De acordo com a bióloga e analista ambiental do Departamento de Biodiversidade Aquática, Mar e Antártica do MMA, Paula Moraes Pereira, propôs-se a criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul devido ao fato de a região já ter sido palco do massacre e quase extinção da maioria das populações de grandes baleias que habitavam suas águas.

A criação do santuário visa a promover a conservação, no longo prazo, das grandes baleias em todo o seu ciclo de vida, dos seus habitats, e das áreas de alimentação e/ou rotas migratórias, com especial ênfase na reprodução e cria dos filhotes. Objetiva, ainda, desenvolver o uso econômico sustentável e não letal de baleias para beneficiar as comunidades costeiras da região, por meio de atividades de ecoturismo e educação, como a observação de baleias, proporcionando informação científica para o manejo dessas atividades a fim de garantir sua sustentabilidade no longo prazo.

Santuário da vida – A partir do desenvolvimento de pesquisa não letal, será possível fazer o monitoramento da recuperação das populações de baleias quase extintas pela caça no passado, analisar as ameaças e as medidas de mitigação (intervenção humana com o intuito de reduzir ou remediar um determinado impacto ambiental nocivo), além de estabelecer projetos e iniciativas para melhor compreender as rotas migratórias e os padrões de movimento desses grandes animais. A proposta de criação do santuário conta, inclusive, com o apoio do Uruguai, África do Sul, países da União Europeia, Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos, entre vários outros.

O assunto foi amplamente debatido em 2012, durante a 64ª reunião da CIB, na qual foi votada a proposta. A sugestão obteve 65% dos votos favoráveis, percentual ainda insuficiente, já que, pelas regras da comissão, são necessários três quartos ou 75% de votos favoráveis para sua aprovação.

Segundo Paula Pereira, é preciso caracterizar o Atlântico Sul como santuário desses grandes animais, além de buscar a recuperação de espécies de baleias e unidades populacionais eliminadas pela caça comercial e por frotas baleeiras de países distantes. E defende que a conquista de benefícios socioeconômicos advindos do ecoturismo, da observação de baleias e da pesquisa científica depende da recuperação das populações de baleias e da garantia de que a caça não será mais uma ameaça. (Fonte: MMA)