Níquel é um metal que causa alergia e pode estar presente em bijuterias

Você já ouviu alguém falar que não pode usar bijuteria porque tem alergia? Há quem acredite ainda que não pode colocar nem uma corrente de ouro que já pode sofrer alguma reação. No Bem Estar desta segunda-feira (24), a dermatologista Márcia Purceli e a alergista Ariana Yang explicaram que o ouro não é o causador do problema, mas sim o níquel, um metal que pode estar presente em bijuterias, óculos, relógios, botão de calças e até misturado no ouro.

Segundo a alergista Ariana Yang, a alergia a níquel é uma das mais comuns, principalmente nas mulheres. Quem tem esse problema, no entanto, não deve insistir em usar acessórios que dão reações, como alertou a dermatologista Márcia Purceli, porque além da coceira, eles podem até criar processos inflamatórios.

Outra reação que os acessórios podem causar é o escurecimento – o telespectador Pablo, do Rio Grande do Sul, enviou um vídeo ao programa querendo saber por que sua pele fica escura bem no local onde passa a corrente de prata. Segundo a dermatologista Márcia Purceli, pode ter ocorrido uma pigmentação causada pela oxidação da prata, que levou ao escurecimento da pele do Pablo, mas isso não é necessariamente uma alergia.

Essa oxidação acontece por causa da reação do enxofre com a prata – o enxofre pode vir da poluição ou do suor e, em contato com a prata, causa essa reação, como explicou o químico Luís Fernando Pereira na reportagem da Renata Cafardo.

Segundo o especialista, quando ocorre esse processo, a prata perde elétrons. Para devolver esses elétrons, uma das melhores opções é o alumínio. Baseado nisso, existe uma dica para evitar o escurecimento e limpar os acessórios – é só fazer uma mistura de bicarbonato de sódio e sal de cozinha, diluída em água, embalar os objetos em papel alumínio e colocá-los em uma vasilha também de alumínio. A água deve estar morna, de acordo com o químico. Após meia hora, mais ou menos, a prata já parece nova, como mostrou a reportagem.

De acordo com a alergista Ariana Yang, fora o níquel, existem outras substâncias que também costumam provocar reações, como o leite e o camarão, por exemplo. A médica explicou que a alergia acontece por causa da genética e também por fatores ambientais da vida do paciente. A diferença é que, para alguns, as reações podem ser mais leves ou mais graves.

No caso da Fernanda, por exemplo, mostrada na reportagem da Carla Suzanne, de Sergipe, as reações alérgicas por causa da maquiagem começaram a aparecer quando ela estava no segundo dia de trabalho em uma loja.

Iniciou com uma coceira que deixava os olhos inchados e vermelhos e passou para os lábios, que ficavam muito ressecados. Ela tentou trocar a marca dos produtos, mas não adiantou e ela precisou diminuir o uso, por recomendação médica. Desde então, ela passou a usar apenas produtos hipoalergênicos de forma moderada e teve também que parar de usar esmaltes, que também causavam alergia.

De acordo com a dermatologista Márcia Purceli, cosméticos e esmaltes costumam levar a uma dermatite de contato, que pode gerar alterações na pele, como inchaço e eczema. Nesse caso, a reação só acontece onde o alérgeno encosta e geralmente começa com uma coceira, depois vermelhidão, podendo deixar a pele áspera, inchada e descamada. O grau máximo de alergia, nessa situação, é a formação de bolhas. Dependendo do nível, o paciente pode usar compressa de água fria, medicamento ou precisar ir até a um pronto-socorro.

Para confirmar esses tipos de alergias, o paciente pode fazer um teste no consultório, em que são colocados adesivos na pele com supostos alérgenos pelo período de 48 horas. Depois, ele retorna ao médico para verificar se houve alguma reação, como explicou a alergista Ariana Yang. Se o paciente for alérgico à penicilina, por exemplo, é importante que ele coloque uma etiqueta na sua identidade com essa informação para caso seja levado desacordado para uma emergência hospitalar, os médicos saberão que não podem usar essa substância.

De maneira geral, as médicas alertam que a maioria das alergias não têm tratamento e, a partir do momento que o paciente descobre o problema, é preciso evitar o contato com a substância causadora.

Em caso de reação na pele, é bom colocar uma compressa com gelo ou alguma pomada indicada pelo médico.

Por que o antialérgico dá sono? – Quando há uma reação alérgica, o corpo libera histamina, substância que combate algo que o organismo considera estranho ou nocivo. As células têm receptores que recebem a histamina e avisam que há algo errado por meio das reações, que podem ser placas vermelhas na pele ou coceira, por exemplo.

Quando o antialérgico é tomado, ele bloqueia esses receptores de histamina, impedindo que as reações aconteçam. O problema é que o medicamento também chega ao cérebro, que também tem receptores de histamina, mas não produz histamina. Ou seja, quando esses receptores são fechados, o paciente pode sentir sono. No entanto, são apenas alguns antialérgicos que dão sono, como alertou a dermatologista Márcia Purceli. (Fonte: G1)