Ação do governo federal garante água doce para beber e cozinhar

As 120 famílias da comunidade rural de Timbaúba, município de Cacimbinhas, sertão de Alagoas, a 177 km de Maceió, agora têm, diariamente, 5 mil litros de água de boa qualidade para beber e preparar os alimentos. É o caso de Reginaldo Amorim, 26 anos, e Maria do Socorro Ribeiro, 74, a matriarca de três gerações de moradores da comunidade que, há dois anos, retiram o sustento das possibilidades oferecidas pelo sertão a partir dos benefícios proporcionados pelo Programa Água Doce.

Trata-se de uma ação do governo federal coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) em parceria com diversas instituições federais, estaduais, municipais e entidades da sociedade civil organizada, que visa resolver o problema de falta de água potável de boa qualidade para as populações de regiões áridas do Nordeste do Brasil. De acordo com a ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, que esteve, nesta terça-feira (15), em Cacimbinhas para ver como o projeto implantado estava funcionando, é importante assegurar a água de boa qualidade, porque se proporciona um novo modo de viver.

Parcerias – A tecnologia integrada de dessalinização com a produção de peixes e da forrageira atriplex contou com estudos desenvolvidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), entre outros parceiros. O sistema está em aplicação também no município alagoano de Santana do Ipanema, onde foram entregues, também nesta terça-feira, outros 24 sistemas de dessalinização.

Ao lado do governador de Alagoas, Teotônio Villela Filho; do secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do MMA, Ney Maranhão; de autoridades locais e dos técnicos que tocam o Programa, Izabella Teixeira disse que, além de beneficiar milhares de pessoas, o Água Doce, ao dessalinizar a água, gera o que a ministra classificou de “solução três em um”. Todo o processo resulta em água doce de qualidade, alimenta tanques repletos de tilápias com os rejeitos da dessalinização e ainda irriga e aduba a lavoura de atriplex, conhecida como da erva-sal, uma planta que absorve os excessos de minerais extraídos da água salobra, além de servir de alimento aos caprinos dos pequenos criadores locais.

“É um desafio da área de meio ambiente, um aprendizado para o Brasil entender como se lida com água e é um projeto concreto de adaptação”, disse a ministra. E, para viabilizar o Água Doce no sertão, o governo federal liberou R$ 209 milhões destinados a assegurar água potável aos moradores do semiárido brasileiro, investimentos que representam um gasto de R$ 450,00 e R$ 1.000,00 por pessoa, a depender da quantidade de água produzida por cada poço artesiano perfurado.

Baixo custo – “É muito barato, além de evitar os outros custos com a degradação ambiental, terra assoreada, perda de economia local, custo com saúde por beber água sem qualidade, a doença, e é importante assegurar a água boa, porque se assegura, também, um novo modo de viver”, justificou a ministra. Até o momento, o Projeto Água Doce já beneficia 100 mil moradores do semiárido brasileiro de 150 localidades, sendo que a primeira experiência foi implantada no Rio Grande do Norte em 2005 e está funcionando muito bem, assegurou o coordenador nacional do Programa Água Doce no MMA, Renato Saraiva Ferreira.

A previsão é contemplar, ao todo, 480 mil pessoas no Brasil, espalhadas por comunidades rurais dos estados de Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Sergipe, Ceará, Bahia, Piauí, Pernambuco e Minas Gerais. Os 24 sistemas de dessalinização entregues nesta terça-feira custaram R$ 2,2 milhões e vão beneficiar 24 comunidades de 12 municípios do estado. Apenas na zona rural de Santana do Ipanema a água potável de boa qualidade atenderá às necessidades de 8,3 mil pessoas. A iniciativa foi viabilizada por convênio firmado entre o MMA e a Secretaria de Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Alagoas. As ações se desenvolvem na Bacia do Rio Traipu.

De acordo com o coordenador nacional do Programa, o processo de dessalinização é uma alternativa ambiental capaz de reduzir os impactos dos rejeitos com o meio ambiente. “A unidade demonstrativa de Cacimbinhas, por exemplo, é fruto de um acordo de gestão firmado com a comunidade, capacitada a operar todo o sistema, que é completo e o mais sustentável possível”, garantiu Renato Ferreira.

“Despescas” – O sistema de dessalinização desenvolvido é fruto de uma parceria entre o MMA, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o governo de Alagoas, com a cooperação técnica da Embrapa Semiárido e Meio Ambiente, Associação Técnico Científica Ernesto Luiz de Oliveira Júnior (Atecel) e Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Além de permitir o acesso à água potável, o sistema proporciona outras atividades na região, como a criação de tilápias nos tanques com a água imprópria para consumo que sobra do processo de dessalinização.

Até agora, foram feitas quatro “despescas” (retirada de tilápias dos criatórios) e cada uma atingiu a produção média de 500 kg de peixes, comercializados ao custo de R$ 7,00 o quilo. No local, também são realizados treinamentos para o corte e o processamento da erva-sal, produzida com a água restante dos criadouros. Essas atividades já proporcionaram à comunidade uma poupança de R$ 4,1 mil. (Fonte: MMA)