Pentágono procura alternativas ao uso de tecnologia russa em seus foguetes

A Força Aérea dos Estados Unidos está buscando alternativas ao uso de motores russos em seus foguetes Atlas V, responsáveis por colocar satélites espiões em órbita, já que as sanções econômicas impostas à Rússia podem ter consequências mais profundas do que as previstas.

O secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, ordenou à Força Aérea revisar as opções disponíveis para reduzir a dependência da tecnologia russa, embora, em um primeiro momento, as alternativas se mostrem limitadas.

Os foguetes Atlas V, desenvolvidos e operados pela United Launch Alliance (ULA), uma empresa conjunta da Lockheed Martin e Boeing, usam sistemas de propulsão RD-180 fabricados pela Rússia durante a primeira fase de lançamento.

As sanções dos EUA contra Rússia, que poderiam ser ampliadas caso o presidente russo, Vladimir Putin, ordenasse uma intervenção no leste da Ucrânia, levaram ao Congresso a perguntar sobre as possibilidades dos foguetes serem afetadas.

Na quarta-feira (30), em audiência do Senado, o subsecretário de Defesa para aquisições, Frank Kendall, disse que “não há grandes soluções” para reduzir a dependência de tecnologia espacial russa.

Neste caso, como opção, a Força Aérea sugere comprar os direitos de produção do sistema de propulsão russo para produzi-los de maneira independente ou recorrer aos foguetes Delta, cuja propulsão é desenvolvida pela empresa californiana Rocketdyne.

Atualmente, a ULA conta com motores da empresa russa NPO Energomash para dois anos de lançamentos de satélites militares e de inteligência.

A polêmica sobre a tecnologia espacial russa em foguetes militares coincide com o processo da empresa SpaceX contra o Pentágono por ter cedido o monopólio de lançamentos de satélites da Força Aérea à “joint venture” da Lockheed Martin e da Boeing, as duas maiores contratistas de Defesa.

O empreendedor e magnata Elon Musk, proprietário de SpaceX, obteve nesta quarta-feira uma vitória legal em um tribunal federal que sentenciou de maneira preliminar que a ULA deve deixar de fazer negócios com a estatal russa NPO Energomash para adquirir seus motores.

Esta sentença dá uma nova dimensão às três rodadas de sanções econômicas impostas pela Casa Branca à Rússia e abre uma oportunidade para que a SpaceX possa fazer contratos consideráveis com o Pentágono. (Fonte: Terra)