Tubarões ‘lanterna’ produzem luz para se camuflar e atrair companheiros

Uma recente pesquisa revelou que alguns tubarões estão evoluindo e se adaptando para conseguir enxergar na escuridão do fundo do oceano. Os olhos dos animais funcionam como lanternas, isto é, eles produzem luzes.

Estes tubarões ‘bioluminescentes’, como foram chamados, possuem uma maior densidade de células sensíveis à luz em suas retinas, que os ajudam a ver as luzes cintilantes de outros tubarões, encontrar presas e camuflar-se nesta região, onde penetra pouca luz, de acordo com um estudo publicado na quarta-feira (6) na revista Plos One.

‘Há cerca de 50 diferentes espécies de tubarões que são capazes de produzir luz – cerca de 10% de todos os tubarões conhecidos atualmente’, afirma o pesquisador Julien Claes, biólogo da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica.

Os animais vivem em uma profundidade de 650 a 3.300 pés (200 a 1.000 metros), uma região sombria iluminada apenas por uma fraca luz solar.

Claes e seus colegas mostraram que várias espécies de tubarões ‘lanterna’ usam um mecanismo muito complexo que envolve principalmente hormônios, ao contrário dos sinais das substâncias químicas cerebrais (tais como a melatonina) usados por muitos peixes ósseos brilhantes.

Os cientistas sabem que os animais usam sua própria luz para se camuflar e fugir de predadores, misturando-se com a luz do sol, mas eles também descobriram que algumas espécies têm espinhos que lembram ‘sabres de luz’, usados para afastar predadores.

Além de camuflagem e proteção, os tubarões usam a luz para reconhecer outros membros de sua própria espécie, a fim de encontrar parceiros de caça ou companheiros. Por exemplo, os tubarões possuem estruturas que produzem luz em seus órgãos sexuais que os ajudam a encontrar outra criatura da mesma espécie no escuro, diz Claes.

A maioria dos animais do fundo do mar tem visão sensível à luz e não uma boa resolução. Então, como pode o sistema visual dos ‘tubarões lanterna’ ser tão sensível à luz fraca e atingir resolução suficiente para ajudá-los a reconhecer os padrões complexos de seus companheiros?

Os cientistas descobriram que os ‘tubarões brilhantes ‘possuem maior densidade de células sensíveis à luz, conhecidas como bastonetes, em seus olhos do que os outros tubarões, o que pode dar a estes animais uma melhor resolução temporal’.

Ter uma visão mais ágil ajudaria os tubarões a enxergarem rapidamente as mudanças nos padrões de luz, como as que eles usam para interagir uns com os outros.

Os cientistas também descobriram que os olhos dos tubarões contêm uma região transparente na cavidade superior, o que poderia ajudar os animais a ajustar a iluminação de seus olhos e camuflar-se contra a luz. Além disso, uma lacuna nos olhos, entre a lente e a íris, permite a entrada de luz adicional.

Os resultados sugerem que o sistema visual destes ‘tubarões lanterna’ tem co-evoluído com a capacidade de produzir luz, afirma o pesquisador. (Fonte: UOL)