Estragos causados pela sobrepesca na Europa se mantêm apesar de esforços

Uma década de esforços para reduzir a sobrepesca manteve inalterados os estragos causados por décadas de exploração sem controle, de acordo com um estudo segundo o qual muitos ecossistemas marinhos estão “gravemente perturbados”.

“Nos últimos 12 meses, a pressão da pesca diminuiu à metade” na União Europeia, com cotas cada vez mais restritivas, mas nem por isso foram conseguidos os “resultados esperados”, explicaram os cientistas no comunicado.

De modo geral, a população (de peixes) não aumenta, e a estrutura dos ecossistemas permanece perturbada, com índices de produtividade e de diversidade que “não registram nenhuma melhora significativa”, dizem os autores do estudo, publicado este mês na revista científica “Fish and Fisheries”.

O estudo se concentra nos sete grandes ecossistemas europeus, do Mar Báltico à Costa Ibérica, passando pelo Mar do Norte e pelo Golfo de Vizcaya.

Para o coordenador do estudo, Didier Gascuel, diretor da Divisão de Pesca da Agrocampus Oeste (França), a explicação do escasso impacto da limitação da pesca é “bastante preocupante”.

A “enorme sobre-exploração” das reservas europeias representou “praticamente o desaparecimento dos grandes genitores mais férteis”. O resultado é que o “número de jovens peixes que nasce a cada ano de reprodução de diferentes estoques caiu pela metade em 20 anos”.

Mas, segundo ele, é preciso levar em conta outros fatores, como o impacto das mudanças climáticas em uma possível redução da produtividade da cadeia alimentar e a deterioração dos hábitats costeiros essenciais ao ciclo de vida de algumas espécies.

A pressão da pesca, que começou a crescer no final da II Guerra Mundial, não parou de aumentar até o final dos anos 1990, com os primeiros indícios de sobre-exploração já a partir dos anos 1950 (o arenque, o linguado e a azevia no Mar do Norte, por exemplo).

Em geral, a pesca capturada em águas europeias se reduziu pela metade em 30 anos e equivale atualmente ao nível dos anos 1950.

De qualquer forma, os resultados dos esforços para reduzir a pesca tiveram resultados diferentes, dependendo das espécies.

Algumas reservas demonstraram “sinais bastante espetaculares de reconstituição”, como a merluza, cuja população triplicou em 10 anos. Mas, “outras espécies estão em mínimos”, como o linguado do Golfo de Vizcaya, ou o bacalhau do Mar do Norte.

Mais de 80% das capturas de peixes em águas europeias são feitas por frotas pesqueiras desse continente. (Fonte: UOL)