Libéria vai processar paciente que saiu do país com ebola por ter mentido

A Libéria planeja processar judicialmente o passageiro que viajou para os Estados Unidos e lá desenvolveu os sintomas de ebola por ter mentido em um questionário que perguntava se ele havia entrado em contato com pessoas infectadas, informaram as autoridades do país nesta quinta-feira (2).

Thomas Eric Duncan respondeu a uma série de perguntas no aeroporto de Monróvia sobre sua saúde e suas atividades antes de embarcar rumo a Dallas, nos Estados Unidos. Em um formulário que ele entregou em 19 de setembro obtido pela Associated Press, ele respondeu negativamente a todas as perguntas. Uma delas era se ele tinha cuidado de algum paciente com ebola ou tocado alguém que morrera na área afetada pela doença.

“Esperamos que as pessoas ajam de forma honrada”, disse Binyah Kessely, presidente do conselho de administração da Autoridade Aeroportuária da Libéria em Monróvia, capital do país. A agência recebeu autorização do Ministério da Justiça para levar a cabo o processo.

Moradores da capital liberiana acreditam que Duncan se infectou quando ajudou uma mulher enferma a entrar em um táxi para ser levada ao hospital.

As autoridades de saúde do Texas colocaram quatro integrantes da família do paciente em quarentena dentro da própria casa, como cautela. A família está recebendo suporte e alimentação em seu apartamento.

Cerca de 80 pessoas no Texas que entraram em contato com Duncan são mantidas em observação para verificar se desenvolvem os sintomas da doença, disseram nesta quinta-feira as autoridades.

A porta-voz de Saúde e Serviços Humanos do contado de Dallas, Erikka Neroes, disse que as autoridades chegaram a esse número de pessoas por meio de uma “investigação de contatos”.

O paciente viajou da Libéria para os EUA no dia 19 de setembro, quando não apresentava sintomas. Ele começou a apresentar sinais da doença quatro ou cinco dias depois. No dia 26, procurou ajuda médica e no dia 28 (domingo) foi isolado no hospital no Texas Health Presbyterian em Dallas, no Texas, onde permanece internado em estado grave.

Hospital mandou para casa – Na primeira visita ao hospital, ele chegou a dizer que vinha da África, mas a informação não foi passada adiante pela equipe que o atendeu, de modo que ele foi mandado de volta para casa com antibióticos, segundo sua irmã.

Em entrevista à “CNN”, o meio-irmão de Duncan, Wilfred Smallwood, que está em Phoenix, disse que o irmão nunca mencionou que estaria vindo para os Estados Unidos para fugir da situação da epidemia de ebola na Libéria. Segundo ele, Duncan viajou para os Estados Unidos para visitar a família e estava procurando um emprego no país. O filho de Smallwood, de 21 anos, também entrou em conato com Duncan.

Americanos infectados – Desde que começou a epidemia de ebola na África Ocidental, os Estados Unidos já tinham recebido outros americanos infectados pela doença. Porém, nesses casos, eles já chegaram ao país com o diagnóstico da infecção, com uma estrutura de isolamento já preparada para recebê-los.

Foi o caso do médicos missionários Kent Brantly e Rick Sacra, além da trabalhadora voluntária Nancy Writebol. Infectados na Libéria, os três foram tratados nos Estados Unidos e tiveram alta recentemente.

O Instituto Nacional de Saúde americano (NIH) reportou ainda ter recebido outro médico americano que foi exposto ao vírus enquanto trabalhava em Serra Leoa de maneira voluntária.

Mais de 3 mil mortos na África – O número de mortos pela epidemia de ebola na África Ocidental chegou a 3.338, de um total de 7.178 casos da infecção até o dia 28 de setembro. A informação foi divulgada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quarta-feira (1º).

O número de novos casos caiu pela segunda semana consecutiva, mas a OMS alerta de que os dados não significam que a epidemia está perto de ter um fim, já que muitos casos continuam não sendo registrados. (Fonte: G1)