Pesquisa do Nobel de Física é de ampla aplicação no cotidiano

Trabalhos premiados no Nobel muitas vezes se referem a áreas cuja relevância é difícil de ser compreendida pelo cidadão comum. No caso do Nobel de Física de 2014, no entanto, não só a aplicação da descoberta homenageada é muito clara, como estamos em meio a uma transição no consumo de energia graças, entre outros fatores, a esse trabalho.

Isamu Akasaki, Hiroshi Amano e Shuji Nakamura conseguiram, nas décadas de 1980 e 1990, criar o LED de luz azul, usando nitreto de gálio, algo que cientistas buscavam havia anos, sem sucesso.

“Eles não descobriram o LED em si. Já existiam o vermelho e o verde há muitos anos. O que não existia era o LED azul. Quando você quer produzir uma cor qualquer, você precisa combinar as três fundamentais: vermelho, verde e azul”, explica Alain André Quivy, coordenador de um grupo de pesquisa do Laboratório de Novos Materiais Semicondutores do Instituto de Física da USP.

De acordo com Quivy, o maior mérito dos três laureados com o Nobel foi conseguir fazer o LED azul usando um material de “péssima qualidade” para essa finalidade, o nitreto de gálio. Os LEDs brilham quando cargas elétricas são recombinadas em cristais. No caso de Amano, Nakamura e Akasaki, o cristal de nitreto de gálio é bastante irregular. “O material deles era cheio de defeitos, impurezas”, explica o pesquisador. O grupo do professor da USP produz material com a mesma função do nitreto de gálio, mas que se destina a fazer LEDs vermelhos (arseneto de gálio), o que, segundo Quivy, é muito mais simples.

O professor da USP explica que, com os LEDs de luz branca, foi possível inaugurar uma nova geração de lâmpadas com consumo pelo menos 90% menor que o das convencionais com filamento de tungstênio. O LED também é da ordem de cem vezes mais durável. O objetivo principal dos pesquisadores dessa área agora é aumentar a potência dos LEDs, para que menos unidades sejam necessárias para obter um grande poder de iluminação. (Fonte: G1)