Obama pede medidas para sistema de saúde se preparar para ebola

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quer que as autoridades federais tomem medidas adicionais para garantir que o sistema médico do país está preparado para seguir protocolos corretos para lidar com o ebola, após a notícia de uma aparente violação de procedimentos em Dallas, disse a Casa Branca em uma declaração neste domingo.

Obama foi informado sobre o diagnóstico de um segundo caso de ebola no Texas, onde uma funcionária de saúde contraiu o vírus após prestar assistência a um liberiano que morreu da doença em um hospital de Dallas na semana passada.

Thomas Frieden, diretor dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), disse neste domingo (12) que, em algum momento durante o atendimento do paciente original, houve uma brecha no protocolo que resultou na infecção da profissional de saúde.

Obama disse que as autoridades federais devem “tomar medidas adicionais imediatas para garantir que hospitais e profissionais de saúde em todo o país estão preparados para seguir os protocolos caso se defrontem com um paciente com ebola”.

O Hospital Texas Health Presbyterian, onde foi tratado o paciente liberiano que morreu de ebola e onde atualmente está internada a funcionária de saúde diagnosticada com a doença, afirmou em nota que a família da profissional pediu privacidade total, por isso sua identidade não seria divulgada. Segundo a CNN, trata-se de uma enfermeira.

Quebra de protocolo – Segundo informações divulgadas neste domingo, uma quebra nos protocolos de segurança, possivelmente durante a remoção de equipamentos de proteção após o tratamento do paciente com ebola, pode ter causado a contração do vírus mortal pela profissional de saúde.

Todos os profissionais de saúde de Dallas que ajudaram a cuidar do paciente Thomas Duncan, que morreu na semana passada no Hospital Texas Health Presbyterian, foram potencialmente expostos ao vírus, disse diretor do CDC.

“Outra (área) que nós estaremos olhando de perto na investigação são as intervenções que foram feitas para tentar desesperadamente manter (Duncan) vivo”, disse ele ao programa de televisão do canal CBS “Face the Nation”. “Isto incluiu diálise e intubação. Estes são dois procedimentos que podem resultar na propagação de material infeccioso”, disse Frieden.

Mais de 4 mil pessoas morreram de ebola em sete países desde o início da propagação desta febre hemorrágica no início do ano, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cujo foco encontra-se em Guiné, Libéria e Serra Leoa.

No Brasil – O Ministério da Saúde informou neste sábado (11) que o exame do paciente suspeito de infecção pelo vírus ebola teve resultado negativo. A confirmação, no entanto, só deve ocorrer após um segundo exame comprovar que o paciente realmente não tem o vírus, informou o Ministério. O estado de saúde de Souleymane Bah, de 47 anos, é bom e ele não apresenta febre. Ainda de acordo com o ministério, ele está em “isolamento total” no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro (RJ).

O protocolo de prevenção da doença não será desmobilizado, no entanto, até a segundo exame do paciente Souleymane Bah, informou o ministério. O estado clínico do cidadão da Guiné, que entrou no Brasil para pedir status de refugiado, é considerado estável e não houve manifestação de sintomas.

Transmissão – O ebola é uma doença infecciosa grave provocada por um vírus. Os sintomas iniciais são febre de início repentino, fraqueza intensa, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. Depois vêm vômitos, diarreia e sangramentos internos e externos. Ela é transmitida pelo contato direto com os fluidos corporais da pessoa infectada: sangue, suor, saliva, lágrimas, urina, fezes, vômito, muco e sêmen. Não há risco de contaminação pelo ar.

Quem tiver voltado de um dos países da África afetados pela epidemia – Libéria, Guiné ou Serra Leoa – e apresentar febre ou algum dos outros sintomas, deve procurar uma unidade de saúde e informar a equipe sobre a viagem. Dúvidas sobre a doença podem ser tiradas com o Disque Saúde, do Ministério da Saúde, no número 136. (Fonte: G1)