Richard Branson rejeita críticas da imprensa após acidente com nave

O bilionário britânico Richard Branson rejeitou nesta segunda-feira (3) críticas que considera “ofensivas” de parte da imprensa após o acidente fatal da espaçonave SpaceShipTwo no deserto da Califórnia. Ele afirmou que os investigadores descartaram a tese de uma explosão em pleno voo, como noticia a agência Reuters.

“Eu nunca vi tantas alusões irresponsáveis e prejudiciais”, declarou Sir Branson à Sky News. “É o que a imprensa britânica pode ter de pior”, acrescentou, enquanto o jornal “Daily Mail” cita nesta segunda-feira um especialista que acusa a Virgin Galactic de brincar de “roleta russa”.

“É incrivelmente ofensivo para os 400 engenheiros que trabalharam tão valentemente para a Virgin Galactic”, declarou o empresário. A SpaceShipTwo caiu na sexta-feira durante um voo de teste no deserto de Mojave, ao nordeste de Los Angeles, depois de se separar de sua aeronave de lançamento WhiteKnightTwo.

O acidente provocou a morte do piloto Michael Alsbury e feriu gravemente seu copiloto, Pete Siebold. A agência americana de segurança dos transportes (NTSB) abriu uma investigação para apurar as causas do acidente.

“Sou grato à NTSB por ter esclarecido que o tanque e o motor estavam intactos, mostrando que não houve explosão, apesar da profusão de autoproclamados especialistas dizendo que esta era a causa (do acidente)”, disse Branson.

“Vamos garantir que isso nunca aconteça novamente”, assegurou.

“Se o acidente tivesse acontecido enquanto transportávamos passageiros, seria muito difícil de nos recuperar. Mas eu espero que o que aconteceu seja diferente”, acrescentou, garantindo estar determinado a “continuar” com os planos para o turismo espacial.

“Não faremos nenhum voo público enquanto eu e meus familiares não estivermos em condições de voar’, disse. Mas estou convencido de que um grande futuro aguarda a Virgin Galactic, uma vez que a NTSB indique o que realmente aconteceu”.

Um funcionário de segurança aérea nacional dos Estados Unidos disse no domingo (2) que a investigação sobre o acidente descobriu que uma função para ajudar a nave a reentrar na atmosfera foi ativada antes da hora. Um erro do piloto não poderia ser descartado, segundo essa fonte.

A cauda rotativa de expansão da SpaceShipTwo, um recurso de segurança para reentrada na atmosfera, foi acionado antes do momento certo, disse Christopher Hart, presidente em exercício da NTSB, na noite de domingo – embora tenha acrescentando que é muito cedo para saber se essa medida foi o que causou o acidente.

Hart disse em entrevista coletiva que os investigadores haviam determinado que o sistema que ajuda a nave a descer para a atmosfera vindo do espaço deveria ser acionado quando o veículo estivesse viajando a cerca de 1,4 vez a velocidade do som.

Em vez disso, o sistema começou a atuar quando a nave, acionada por foguetes, estava viajando em Mach 1, disse ele, utilizando o termo técnico para a velocidade do som a uma determinada altitude.

Hart disse que o sistema foi destravado muito cedo pelo co-piloto, de acordo com vídeo da cabine do avião.
“Não estou declarando que essa é a causa do acidente. Temos meses e meses de investigação para determinar qual foi a causa”, disse Hart.

Questionado se a NTSB estava considerando a possibilidade de erro do piloto, Hart disse: “Não estamos descartando. Estamos olhando para todas essas questões para determinar a raiz da causa deste acidente… Estamos olhando para uma série de possibilidades, incluindo essa (de erro do piloto).”

A SpaceShipTwo foi liberada normalmente da aeronave que a transportou para a altitude de lançamento, a WhiteKnightTwo, a cerca de 45 mil pés (quase 14 quilômetros). Pouco depois, o seu motor híbrido de foguete, que estava voando pela primeira vez com um novo propulsor plástico, foi acionado como planejado, disse Hart.

Investigadores também recuperaram, intactos, os tanques de propulsão e o motor da SpaceShipTwo, indicando que não houve explosão.

A aeronave estava conduzindo voos de testes e ainda não estava certificada para operações comerciais quando o acidente aconteceu, adiando indefinidamente o começo do serviço de passageiros.

Cerca de 800 pessoas já pagaram ou iniciaram o pagamento para ir ao espaço com a companhia, em uma viagem que custa US$ 250 mil. (Fonte: G1)