Controladores vão tentar manobra para reposicionar robô sobre cometa

Os controladores do robô Philae vão tentar uma manobra para tirá-lo da sombra, permitindo que carregue suas baterias no sol. O módulo, que está pousado sobre o cometa 67/P Churyumov-Gerasimenko, no qual aterrissou na última quarta-feira (12), após se separar da sonda Rosetta, está num lugar com pouca luz, o que restringe a poucas horas sua vida útil.

O comando pode ser dado a qualquer momento na noite desta sexta (14) para sábado. O Philae já retomou contato com a Terra esta noite.

A coleta de informações científica se apresenta muito rica, mas as horas de vida que o robô tem pela frente podem ser poucas. “Ele só tem poucas horas de vida com sua bateria. Depois são as baterias solares que deverão assumir a função, mas o robô está na sombra”, explicou Philippe Gaudon, chefe do projeto Rosetta no Centro Nacional de Estudos Espaciais da França.

“Temos apenas 1,5 hora de luz solar em vez das 6 ou 7 horas previstas”, afirmou, por sua vez, Koen Geurts, um dos diretores de voo da ESA. “Não é a situação que esperávamos”, admitiu.

Segundo informou a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), o Philae usou sua broca para explorar o solo do cometa durante. Também, durante a última noite, começaram a funcionar os sensores projetados para estudar a densidade e as propriedades térmicas e mecânicas da superfície do cometa (Mupus, em inglês).

Também foi iniciado o espectômetro APXS, que deve detectar partículas alfa e raios X para coletar informação sobre a composição elementar da superfície.

Pouca luz solar – Na quinta, a agência já havia confirmado que o robô Philae recebia poucas horas de luz solar para carregar suficientemente seus painéis com energia para continuar nos próximos dias os testes científicos previstos.

O módulo, apoiado na superfície com duas de suas patas e com a terceira no ar, leva uma bateria que lhe dá autonomia energética de até dois dias. Depois, o que lhe resta de vida útil dependerá dos painéis solares.

O Philae se comunica através da Rosetta e os sinais que enviam chegam à Terra 28 minutos depois, porque viajam à velocidade da luz e as naves se encontram a uma distância de 511 milhões de quilômetros.

Feito inédito – A Europa fez história na quarta-feira (12) ao conseguir pousar seu primeiro robô em um cometa. O laboratório mecanizado, do tamanho de uma geladeira e com cerca de 100 quilos de peso, tocou a superfície do cometa em uma manobra de alto risco, a mais de 510 milhões de quilômetros da Terra.

Aprovada em 1993 e com custo de 1,3 bilhão de euros (US$ 1,6 bilhão), a missão Rosetta se lançou ao espaço em 2004, levando junto o módulo Philae, equipado com 10 instrumentos. Sonda e robô alcançaram seu alvo em agosto deste ano, usando o empuxo gravitacional da Terra e de Marte como verdadeiros estilingues espaciais.

Ao orbitar lentamente o “67P” desde agosto, Rosetta fez algumas observações surpreendentes sobre o cometa. Seu contorno lembra de alguma forma o de um patinho de borracha, mais escuro que o carvão e com uma superfície retorcida e bombardeada por bilhões de anos no espaço, o que fez dele um ponto difícil de pousar.

A missão de Philae inclui perfurar a superfície do cometa e analisar amostras de marcadores de isótopos de água e moléculas complexas de carbono.

Segundo a teoria corrente, os cometas bombardearam a nascente Terra há 4,6 bilhões de anos, trazendo moléculas de carbono e a preciosa água, partes importantes da “caixa de ferramentas” fundamental para a vida no nosso planeta.

O que quer que aconteça com sua carga, a Rosetta continuará a acompanhar o cometa, analisando-o com 11 instrumentos quando orbitar o Sol no ano que vem. A missão está prevista para terminar em dezembro de 2015. (Fonte: G1)